Já nas telas do Brasil, a partir de hoje, a mais recente proeza da inesgotável fábrica Disney. É o desenho de longa-metragem ‘‘A Nova Onda do Imperador’’, em exibição em Curitiba, Londrina e Maringá . É um dos dois melhores programas para o feriadão de Ano Novo – e isto não significa exclusividade para as platéias menores: ‘‘Imperador’’ e ‘‘Fuga das Galinhas’’ são dois filmes podem e devem ser vistos pelos adultos, que quase nada têm disponível que valha a pena.
O novo desenho não é adaptado de um conto de fadas, da história oficia, folclórica ou de qualquer clássico da literatura. Nada a ver com nada. Ou quase nada: o roteiro assinado por David Reynolds, Chris Williams e pelo diretor Mark Dindal toma emprestada alguma coisinha de ‘‘A Bela e a Fera’’, mas prevalece uma fonte pura e neutra. O que parece ter sido a primeira de uma série de sábias decisões do estúdio. A história está localizada num reino mítico remotamente latino-americano, com arquitetra asteca. Estes domínios parecem prósperos, mesmo levando-se em consideração que o líder absoluto, Kusco, é um megalomaníaco a toda prova.
Este jovem imperador, ovbiamente o narrador do filme, denomina coisas ao redor baseado em si mesmo – há até um projeto para uma casa de veraneio a ser batizada de ‘‘Kuscotopia’’. O local da tal ‘‘villa’’ é onde mora o gentil camponês Pacha e sua mulher Chica. Kusco não quer nem saber e dá de ombros quando Pacha pergunta o que vai ser dele e da família.
Neste meio tempo, Kusco já decidiu: para salvaguardar seu poder absolutista, vai despedir sua venerável e imperial conselheira Yzma. Mas esta tem planos. Como, por exemplo, envenenar Kusco. Alguma coisa, porem, dá errado com a tal poção e o imperador acaba sendo transformado num lhama. Falante, mas lhama. A partir daí, vamos testemunhas as enlouquecidas aventuras do lhama Kusco e do camponês Pacha, juntos tentando recuperar o trono e a forma humana do primeiro.
‘‘A Nova Onda do Imperador’’ é um delicioso e efervescente conto moral, concebido com tal presença de espírito e sofisticação que adultos e crianças ficarão encantados na mesma medida. A divisão ‘‘animada’’ dos estúdios Disney traçou uma estratégia quase ‘‘diet’’, e por isso infalível: ênfase na história inspirada e nos personagens carismáticos, diálogos bem escritos, apenas um animal antropomórfico, somente duas canções na trilha musical e doses inesgotáveis de vitalidade. O filme, assim, oferece em apenas 81 minutos uma certo frescor que andou faltando em ‘‘Mulan’’, ‘‘Tarzan’’ e principalmete em ‘‘O Príncipe do Egito’’.
Para temperar o lançamento. Não convidem para a mesma sessão de ‘‘A Nova Onda do Imperador’’ o cantor e compositor Sting e os executivos Disney. Contratado para compor seis musicas para a trilha, Sting entregou a encomenda no prazo. Mas razões e procedimentos de produção alteraram não apenas o cronograma como o próprio roteiro do filme, restando apenas duas das canções originais. Resultado: Sting vai processar a Disney. E quem quiser saber os detalhes desta briga não perde por esperar o documentário que a mulher dele fez sobre os bastidores dos desencontros comerciais entre as partes.

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