Em 500 anos de caminhadas e tropeços, a História do Brasil ainda esconde alguns buracos. Aproveitando a data comemorativa, alguns livros começam a chegar às livrarias procurando contar detalhes pouco lembrados dos primórdios da história do País.
Entre eles se destaca a coleção ‘‘Terra Brasilis’’, escrita pelo jornalista gaúcho Eduardo Bueno com consultoria técnica de Ronaldo Vainfas. Até o momento foram lançados, através da Editora Objetiva, dois dos quatro volumes que compreendem a coleção, ‘‘A Viagem do Descobrimento - A verdadeira história da expedição de Cabral’’ e ‘‘Náufragos, Traficantes e Degredados - As primeiras expedições ao Brasil’’. Os outros dois volumes que devem ser lançados este ano, ‘‘Canibais, Jesuítas e Piratas’’ enfocando as capitanias hereditárias e os governos gerais, e ‘‘A França Antártica’’ discorrendo sobre a invasão francesa ao Brasil.
Através de uma linguagem clara, unindo detalhes curiosos e fatos históricos, Eduardo Bueno reconstitui a primeira etapa da história do Brasil de maneira lúcida. Começando do básico, o autor aponta aquilo que todo professor de história sabe, mas fica constrangido em contar aos seus alunos: não foi Pedro Álvares Cabral quem descobriu o Brasil.
Em 26 de janeiro de 1500 uma caravela espanhola sob o comando do capitão Vicente Ya¤ez Pizón aportou na ponta do Mucuripe, cerca de dez quilômetro ao sul da atual cidade de Fortaleza, capital do Ceará. Vicente Pizón era uma navegador experiente, oito anos de desembarcar no Brasil tinha acompanhado Cristóvão Colombo, em 1492, na descoberta da América.
A expedição, com quatro caravelas e 150 marujos, foi financiada pelo próprio navegador com o dinheiro que recebeu como prêmio pela viagem ao lado de Colombo.
Ao desembarcarem na praia, a tripulação encontrou um grupo de 40 nativos. Os detalhe são desconhecidos, mas o fato é que os espanhóis desembarcaram no território dos índios Potiguar e foram atacados devido a alguma provocação. A tripulação de Pizón foi rechaçada com violência, vários foram mortos. Apavorada, a expedição seguiu viagem rumo ao norte, contornando a costa brasileira.
Em fevereiro, Pizón atingiu a Ilha de Marajó. Extasiado com a porococa, seguiu o rio Amazonas a dentro por vários dias. Capturou alguns índios como escravos, e voltou para a Espanha.
Depois de Pizón, outras duas expedições espanholas chegaram ao Brasil antes de Cabral. A expedição de Diego de Lepe (primo de Pizón) que aportou no Amazonas, e a expedição de Alonso de Hojeda que ancorou no delta do Rio Assu, atual divisa do Rio Grande do Norte e Ceará.
A lendária tormenta que tirou a esquadra de Cabral - com 13 embarcações e 1.300 tripulantes - do caminho das Índias foi uma ficção criada para conferir um sentido de não intencionalidade na descoberta da América do Sul.
No segundo volume de ‘‘Terra Brasilis’’, ‘‘Náufragos, Traficantes e Degredados’’ Eduardo Bueno pinta o mapa dos 30 primeiros anos após a descoberta, de 1500 a 1531. Um período em que o Brasil foi arrendado para a iniciativa privada, se transformando numa imensa fazenda extrativista. Qualquer navio que aqui ancorasse, de qualquer bandeira, enchia seus porões de pau-brasil cortados e carregados pelos nativos. Em troca, deixavam facas, anzóis e machados. A pirataria e o tráfico eram comuns.
Os homens que faziam o tráfico de pau-brasil eram chamados de brasileiros - do mesmo modo que eram chamados baleeiros os que pescavam baleias e negreiros os que se ocupam do tráfico de africanos.
• Coleção Terra Brasilis - de Eduardo Bueno, consultor técnico Ronaldo Vainfas, Editora Objetiva. Volume 1 - ‘‘A Viagem do Descobrimento - A verdadeira história da expedição de Cabral’’, 137 páginas, R$ 16,00. Volume 2 - ‘‘Náufragos, Traficantes e Degredados - As primeiras expedições ao Brasil’’, 200 páginas, R$ 17,50.

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