A Velha Dama do Maranhão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de novembro de 1996
Cleide Cavalcante 
Igreja de São Matias e pelourinho, em Alcântara
Se você está procurando um lugar onde possa, literalmente, desligar-se, a dica é dirigir-se para a secular Alcântara, no estado do Maranhão. Uma cidade que tem seu próprio ritmo. Lento? Não. Digamos que lá se vive o ritmo da paz. Ao atravessar os 22 quilômetros, pelo mar, que separam Alcântara de São Luís, tem-se a impressão de ter entrado por um portal mágico, que separa mundos distantes tão diferentes e, ao mesmo tempo, com incríveis semelhanças. Assim é Alcântara, uma rota permeada por lendas, fascínios, folclore, surpresas e encantos. Vale a pena conhecer este canto do Brasil.
Passear pela Velha Dama, como é conhecida a cidade, é ter uma aula de História nacional. Suas ruas, casarões, igrejas e ruínas que nos remetem a um passado rico, de fundamental importância para a cultura do País. Os imensos sobrados lembram o tempo de fausto e dominação portuguesa, que teve início em 1610, data de fundação da cidade.
Mas os primeiros habitantes do lugar foram os índios Tapuias, que deram o nome de Tapuitapera - que significa morada dos Tapuias - àquela terra. Os Tapuias foram expulsos de seu território, anos mais tarde, pelos índios Tupinambás. Estes, por sua vez, foram despejados pelos portugueses. Em 1648, a antiga Tapuitapera passa a ser Vila de Santo Antônio de Alcântara.
A tranquilidade imperou na região até a década de 80, quando o Ministério da Aeronáutica resolveu instalar na cidade o Centro de Lançamentos de Foguetes. A novidade provocou uma certa agitação na pacata Alcântara. Alguns moradores reclamaram, outros acreditaram que a base seria uma oportunidade para alcançar o tão distante progresso. Isto, de certa forma, aconteceu mesmo.
Energia elétrica O Centro trouxe a energia elétrica para a região, que até então tinha de se conformar com um antigo motor a diesel que iluminava a cidade apenas das 18 às 22 horas. Além disso, alguns nativos começaram a trabalhar na própria base, ou na residência dos funcionários de lá.
Segundo informações da Aeronáutica, o Centro de Lançamentos ocupa uma área de 620 quilômetros. Esta área, agora restrita aos habitantes e turistas, fez com que algumas das praias mais bonitas de Alcântara fossem interditadas. Apesar disso há outras opções, como a da Baronesa e a do Peru. Como não podia deixar de ser, em lugares de população tranquila, composta principalmente por pescadores, as lendas fascinam os visitantes.
Segundo dizem, na praia do Lençol, não se deve retirar conchinhas da areia. A lenda explica que as conchas são consideradas uma dádiva do Sol e quem ousar levá-las de recordação corre o risco de ser tragado pelo mar. As belezas naturais de Alcântara constituem uma excelente alternativa para quem deseja fugir da agitação e superlotação de Porto Seguro, na Bahia.


