A velha Acapulco mantém a forma
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de fevereiro de 1997
Fernando Bonassi Agência Estado 
Consulado do MéxicoO Forte San Diego, construído no século 17, hoje abriga o Museu HistóricoAcapulco é um dos balneários mais conhecidos do mundo, lugar que durante bom tempo foi o cenário idílico de amores tórridos. Mas nem sempre foi assim...
Quando Hernán Cortés chegou ao lugar, já tinha resolvido a questão com os astecas e começava a exploração de ouro e prata. Era a primeira metade do século 16 e logo mandou construir navios. Muita gente pensou que ele estivesse de olho na China, mas o que ele acabou levando mesmo foi o Peru, não menos lucrativo para a Coroa.
Nos anos seguintes o porto de Acapulco se transformou numa importante rota de comércio. Navios saídos das Filipinas rumavam para leste até aqui, onde as mercadorias eram transferidas em lombo de mula, cruzando todo o país até a Costa Atlântica para, no porto de Vera Cruz, tornarem a embarcar para a Espanha. Uma rota que hoje parece uma verdaderia loucura, mas que de tão rica atraiu piratas do porte de Sir Francis Drake.
Acapulco também foi palco de algumas lutas durante a guerra de independência, mas permaneceu relativamente isolada do resto do país. Foi a construção da primeira estrada nos anos 20 e o fechamento da Europa para os turistas americanos durante a Segunda Guerra que começaram a fazer a fama dessa cidade. Com a construção de um aeroporto internacional e uma highway (que baixava para seis horas o tempo que a separa da Cidade do México), a vila de pescadores, que tinha 20 mil habitantes no início do século, chega aos nossos dias com uma população de 2 milhões de pessoas e uma das maiores infra-estruturas turísticas do planeta.
Revista de mexericos A cidade ficou marcada geograficamente por seus surtos de crescimento. A Velha Acapulco é o resultado do tino empresarial de Teddy Stauffer, um suíço muito esperto que começou a dar feição ao que a cidade é hoje. Foi ele quem construiu os primeiros hotéis e casas noturnas e teve a idéia de transformar em espetáculo um dos programas que é a marca registrada da cidade: os clavados. Trata-se dos mergulhos das rochas de La Quebrada. Por 10 pesos (recolhidos pela Unión de Los Clavadistas de Acapulco) você assiste aos saltos de mais de 40 metros de altura até o mar agitado.
Arquivo FolhaO espetáculo nas rochas de La Quebrada: salto para o mar a mais de 40 metros de altura
Ainda na Acapulco mágica dos anos 50 encontra-se o Forte de San Diego. Construído pela primeira vez em 1616 e reconstruído no século 18 devido a um terremoto, hoje ele abriga o Museu Histórico da cidade.
Na praça central, o Zócalo, de um lado está a Igreja de Nuestra Se¤ora de la Soledad, com suas estranhas torres em forma de bulbo; no outro, o ancoradouro, de onde partem os iates que fazem passeios pela baía. Nesse passeios, espécie de revista de mexericos ao vivo, o turista vê de perto mansões de personalidades do mundo da política e do cinema internacional, com a divertidíssima narração dos guias. Não se pode esquecer que foi aqui que desfilou o que havia de mais sofisticado e glamuroso no mundo dos anos 40 e 50...
Anos dourados Quando parecia que tudo ia ficar por aí, que Acapulco viveria apenas do seu doce passado, os anos 70 trouxeram a febre das discotecas e a cidade se contagiou. Tanto que esse período é chamado por aqui de Anos Dourados.
Ao longo da Costera Miguél Alemán, que circunda a baía, e da Carretera Escénica, que segue para o aeroporto internacional, existem dezenas de discoteques, algumas internacionalmente famosas, como BabyO, Palladium ou a Stravaganzza, onde o jet set vinha chacoalhar nos embalos de sábado à noite. Fachadas de vidro, elas se penduram sobre o mar com suas frenéticas luzes coloridas. Muitas delas aceitam reservas e, se o seu barato for dançar, é bom fazer.
Já os anos 90 provavelmente serão lembrados como os anos da Nova Acapulco. Nas praias a caminho do aeroporto começa a funcionar um megaprojeto hoteleiro chamado Acapulco Diamante. São 10 milhões de metros quadrados de condomínios com infra-estrutura hoteleira, esportes aquáticos, campos de golfe e um respeitável conjunto de hotéis cinco estrelas. No que isso vai dar? Talvez a gente tenha que esperar uns dez anos pra saber... Ou ir ver de perto!


