Através de festas e publicação de uma revista, o movimento ‘‘Made in Gueto’’ é um importante meio de comunicação e divulgação do Hip Hop da capital
José SuassunaO Made in Gueto, formado pelos grupos ‘‘Garotas Deatyttude e União Racial’’, prega principalmente a ‘‘não-violência’’A soma de uma das únicas bandas femininas rappers de Curitiba, a Garotas Deatyttude, com o grupo União Racial, resultou no ‘‘Made in Gueto’’, um movimento que surgiu há dois meses e que produz festas, músicas e a revista ‘‘CWB Hip-Hop Zine’’, levando informação ao grande público das periferias.
As festas, que já reuniram mil pessoas, têm o objetivo de apresentar vários grupos de Rap, promovendo a união e a ‘‘não-violência’’ entre eles. ‘‘Queremos que os territórios sejam demarcados pela música e não por brigas’’, diz a vocalista do Garotas Deatyttude, Karoline, 17 anos, casada com o vocalista do União Racial, André (Mazinho), 21 anos.
Eles moram num conjunto residencial no bairro Vila Oficinas, ambos pararam de estudar no início do ginásio, e os dois se dedicam hoje exclusivamente ao ‘‘Made in Gueto’’. ‘‘Apesar de ter parado de estudar, me preocupo em crescer como pessoa, por isso estou começando um curso de computação e o Mazinho está tirando a carteira de motorista’’, diz ela. Segundo Karoline, eles se mantém sempre informados, através da leitura de jornais e revistas.
O que falam em suas músicas, como manda o movimento Hip Hop, é a pura realidade das ruas. ‘‘Hoje mesmo, agora pouco, fomos revistados pela polícia no ponto de ônibus’’, denunciam. ‘‘Isto sempre acontece sem motivos.’’
Karoline reclama que ‘‘o que acontece na periferia permanece escondido pela mídia’’. Ela diz que a violência física e moral, a falta de apoio das autoridades e o desemprego atingem sempre as classes menos favorecidas.
Na opinião deles, o Hip Hop é o único movimento capaz de mudar o comportamento da periferia. ‘‘Não adianta ficarmos dizendo que tudo é ruim, por isso as nossas letras falam coisas como acredite em você mesmo, estude, trabalhe, cresça’’, afirma Karoline.
O DJ Marquito, 19 anos, único homem na banda Garotas Deatyttude, também atua como grafiteiro. Morador do bairro Maracanã, no município de Colombo, ele afirma que acredita em seu trabalho e nas mudanças que o Hip Hop pode provocar na vida das pessoas.
O sonho dos integrantes do ‘‘Made in Gueto’’ é criar uma oficina cultural na periferia, onde pudessem ensinar as crianças a dançar, cantar e desenhar. ‘‘Um lugar onde elas pudessem ficar distantes do mundo das drogas’’, definem. Por enquanto, o sonho é apenas um projeto, assim como a revista ‘‘CWB Hip-Hop Zine’’ - feita em casa, xerocada e vendida nas festas - foi um dia. ‘‘Devagar, vamos levando a nossa mensagem’’, resumem. (S.M.)

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