A união faz a força
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Iara Lessa 
Hoje em Londrina e região temos uma hotelaria melhor do que na década passada, mas isso não quer dizer de forma alguma que nossa hotelaria é boa. Ela é sofrível. A triste afirmação é do técnico em turismo e gerente de Operações do Bourbon Palace Hotel de Londrina, Gilberto Simioni, que recentemente visitou à Folha em companhia dos gaúchos Jorge Pedrinho Pfitscher e Togo Luiz da Cunha, também especialistas no assunto. A tríade participou de um painel de debates sobre Atualidades em Turismo: Hotelaria, Agenciamento e Turismo Sustentado.
Ainda sobre o tema hotelaria, Simioni acredita que falta uma reciclagem total e completa, que possa atingir tanto os donos de hotéis quanto os funcionários. Na maioria dos hotéis o treinamento dos funcionários é ainda muito tímido. São poucos os hoteleiros que realmente acreditam na necessidade de uma time coeso para atender o cliente, explica o gerente.
Quanto aos cursos oferecidos na área, ele acredita que, pelo menos na região, são poucos e deficientes. Temos o pessoal universitário mas eles se formam e viram bacharéis em turismo. Mas a nossa realidade exige profissionais de serviço que sejam mais bem treinados e não apenas técnicos sem experiência, como é o caso da maioria dos universitários de turismo, diz Simioni.
Já sobre os aspectos relacionados à implantação de projetos para alavancar o turismo na região de Londrina, Pfitscher, responsável pela implantação de um projeto de turismo na região da uva e do vinho no Rio Grande do Sul, acredita que não basta apenas a participação de órgãos públicos. É preciso o envolvimento de toda a sociedade. Se a sociedade não acredita no projeto, o projeto simplesmente não vai decolar. Não existe turismo por decreto e não existe administração municipal que consiga trabalhar em um projeto turístico se a sociedade não se comprometer. Muitas vezes, quando a sociedade realmente se envolve, a Prefeitura pode ser até dispensada, que vai dar certo do mesmo jeito, diz o técnico.
Prefeiturização Pfitscher também acredita que muitas administrações confundem municipalização de turismo com prefeiturização. É quando tudo, mas exatamente tudo no projeto tem o dedo da Prefeitura. Vira uma coisa muito ruim. Além de acabar burocratizando o projeto, as prefeituras acabam não ouvindo os moradores da cidade, já que acredita que o projeto pertence somente a ela. Nesse quadro fica impossível implantar qualquer coisa
Outro tema que não ficou de fora da discussão diz respeito aos agentes de turismo, também responsáveis pela boa atuação turística em uma região. Para o especialista Togo Luiz da Cunha, que atua a mais de 25 como profissional no setor de Navegação Aérea, Agências e Operadoras no Rio Grande so Sul, muitas vezes as operadoras erram quando, em vez de oferecer um melhor serviço, preocupa-se apenas em dar pequenos descontos nas passagens.
Uma agência de turismo tem um lucro muito reduzido, não pode deixar que parte da receita fique comprometida por causa de pequenos descontos. O que o agente precisa acreditar na na qualidade de seu serviço e não em pequenos descontos. Muitas vezes o cliente está a procura de um trabalho mais personalizado, mais presente na hora do embarque, na hora que acontecer algum problema e não apenas em um simples desconto. Por isso as empresas pequenas levam vantagem sobre as grandes, já que na empresa pequena o agente tem mesmo que se envolver senão ele acaba falindo, acredita Cunha.
Embora o quadro apresentado pelos três especialistas não seja dos mais satisfatórios e animadores, as discussões sobre turismo prosseguem em toda a Cidade. Outro evento sobre o tema acontece hoje, à 19h30, no Cristal Palace Hotel, com a palestra A qualidade em serviços, uma questão de sobrevivência, que será ministrada por Geraldo Castelli, atual secretário de Turismo de Canela (RS) e fundador da primeira faculdade de Hotelaria do país. O evento é organizado pela Companhia de Desenvolvimento de Londrina-Codel, e pela Capital Humano.


