The Vines é a banda da vez, a escolhida da crítica pop para estampar capas e mais capas de revistas até a saturação do hype e a posterior eleição da sucedânea para receber os holofotes.
Seu badalado disco de estréia, ''Highly Evolved'' (EMI), chega ao Brasil às vésperas da primeira grande turnê do grupo pelos Estados Unidos. Alternando rock'n'roll e baladas, o álbum pode desapontar quem aderiu ao arrastão generoso da mídia.
The Vines nasceu atrás do balcão de um MacDonald's, na cidade australiana de Sydney, onde o vocalista Craig Nicholls e o baixista Patrick Matthews ganhavam a vida. Recrutaram mais dois moleques e montaram o grupo. Apostando nos caras, a gravadora Capitol jogou-os nas mãos do produtor Rob Schnapf, que havia trabalhado com os Foo Fighters e com Elliot Smith.
Poucos meses depois, o primeiro álbum estava pronto. Em maio desse ano, lançaram o single ''Get Free'', cujo clipe foi dirigido por Roman Coppola, filho do diretor Francis Ford Coppola. A musiquinha, um rock inofensivo à la Nirvana, virou hit na Europa puxando o restante do repertório.
Com apoio da imprensa, os rapazes escalaram a tal ponto as paradas que entraram para a história como a primeira banda australiana a figurar no Top 5 Britânico com um disco de estréia. ''Highly Evolved'' reúne melodias aderentes, com harmonias vocais supreendentes (ouçam ''Homesick'' e ''Mary Jane''), e rock de linhagens variadas.
Se emulam o Nirvana em ''In the Jungle'', lembram o Blur em ''Sunshine'' e o glam rock na faixa-título. É um absurdo que sejam tão aclamados. O consolo, cruel, é que na próxima estação ninguém mais se lembrará deles. A voracidade da mídia, amigos, é cruel.

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