O diretor de TV Walter Avancini, 66, morreu ontem, às 14h25, no Rio de Janeiro. Ele sofria de câncer na próstata e estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio desde o último dia 6. Ele deu entrada no hospital apresentando um quadro de discrasia sanguínea (alteração na coagulação) e hemorragia intestinal.
Avancini dirigiu as novelas ''Gabriela Cravo e Canela'' e a minissérie ''Grande Sertão: Veredas'', entre outras. Há um mês, Avancini foi afastado da direção-geral da novela das seis da Rede Globo, ''A Padroeira'', por já estar fisicamente debilitado.
Considerado um dos grandes diretores da TV brasileira, Avancini completou 56 anos de carreira. Em 1968, dirigiu ''Beto Rockefeller'', de Bráulio Pedroso, rompendo com as estruturas do dramalhão e apresentou às novelas uma linguagem ágil e realista, tanto no uso de cenas externas quanto nos diálogos recheados de expressões coloquiais. Com ''Gabriela'', de 1975, lançou um padrão de sensualidade - calcado tanto nos personagens de Jorge Amado quanto na interpretação de Sônia Braga. Em ''Saramandaia'', escrita por Dias Gomes (1975), trouxe para a TV o realismo fantástico.
Por duas vezes Avancini tocou em monstros sagrados da literatura brasileira, levando para a TV obras de João Cabral de Mello Neto e de Guimarães Rosa, considerados ''infilmáveis''. Avancini surpreendeu e transformou as minisséries ''Morte e vida Severina'' (1981) e ''Grande Sertão: Veredas'' (1985) em sucessos de público e crítica.
Avancini era respeitado como um diretor de atores. Tarcísio Meira, conhecido como galã, ganhou respeito depois que Avancini lhe permitiu romper com o tipo e interpretar o Hermógenes de ''Grande sertão''. O mesmo aconteceu com Bruna Lombardi. Avancini foi criticado por escalá-la como o andrógino Diadorim na minissérie. O resultado provou que os críticos haviam subestimado o talento, senão da atriz, ao menos o do diretor. Ele lançou Regina Duarte, Sônia Braga, Bruna Lombardi e Taís Araújo ao estrelato.
A última novela inteiramente dirigida por Avancini foi ''O cravo e a rosa'' (2000), escrita por Walcyr Carrasco. Este ano, ele começou a dirigir ''A padroeira'', atual novela das seis, mas entregou a direção a Roberto Talma no meio do caminho, quando seu estado de saúde começou a complicar.

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