Arquivo FolhaMarta Suplicy: ‘‘Com raras exceções, a programação está nivelada por baixo’’As emissoras que se cuidem. Há quatro meses, a programação passou a integrar a lista de alvos da deputada federal Marta Suplicy. Ela criou um grupo multidisciplinar, batizado de T.Ver, para avaliar o conteúdo do que vai ao ar. Entre outros especialistas, o T.Ver conta com a psicanalista Maria Rita Kehl, o fotógrafo da Agência Estado e integrante da Fundação Palmares, Luiz Paulo Lima, o médico e ex-deputado João Batista Breda, o jornalista Eugênio Bucci e a advogada e promotora Luiza Nagib Eluf.
‘‘O objetivo é ajudar a sociedade civil a encontrar uma forma de manifestar a crescente insatisfação com a qualidade dos programas’’, explica Marta. Para a deputada, os descontentes não têm para quem reclamar. ‘‘Eles ligam para as emissoras, que dificilmente tomam uma providência.’’
O argumento de que a TV pode exibir de tudo e o público escolhe o que ver fazendo uso do controle remoto não a convence. ‘‘Com raras exceções, a programação está nivelada por baixo’’, defende. ‘‘A questão não é se o programa é bom ou ruim e sim o quanto ele pode estar sendo nocivo para a formação das mentalidades, principalmente da cidadania’’.
Cenas impróprias Assim, uma das maiores preocupações do grupo é com a exposição das crianças e adolescentes ao televisor. ‘‘É assustadora a quantidade de cenas de violência e quadros de cunho sexista nos programas infantis’’, continua a deputada. Ela cita pesquisa recente que mostra o número de cenas impróprias durante o horário destinado a esse público. ‘‘Poucos programas escapam e o que chama a atenção é o desrespeito com que a mulher é tratada: é sempre espancada e mostrada como boba’’.
Uma outra pesquisa, do Ibope, encomendada pelo Ministério da Justiça e pela Unesco, mostra que 53% de 2 mil entrevistados não controlam o número de horas de TV assistidas pelas crianças, a hora de se desligar o aparelho ou a programação.
Marta Suplicy esclarece que o T.Ver não quer censurar ou sugerir algo às emissoras. ‘‘Vamos apenas ajudar a sociedade’’, diz. ‘‘A intenção é criar uma Organização Não-Governamental (ONG)’’. Ela cita exemplos de organizações na Europa e nos EUA, onde a sociedade, organizada, derruba programas boicotando produtos dos anunciantes. ‘‘Vamos garantir o ibope pela qualidade’’, promete.

mockup