A TURMA DE BRASÍLIA
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sexta-feira, 19 de maio de 2000
Nelson Sato De Londrina 
A turma de Brasília invadiu outra vez as rádios. Duas décadas depois de pular dos porões para as paradas, a geração 80 volta a sacudir o mercado fonográfico com o lançamento de três CDs. O mais aguardado era o primeiro trabalho-solo de Marcelo Bonfá, ex-Legião Urbana, que vinha anunciando o projeto do disco há quatro anos.
O Capital Inicial, por sua vez, retorna em formato acústico revisando antigos e novos hits. A Plebe Rude também faz uma retrospectiva de carreira com sua formação original e numa gravação ao vivo. Mas apesar da celebração, tendendo para a nostalgia, não há muitos motivos para sair saltitando pelas ruas com os disquinhos debaixo do braço.
Nenhum deles acrescenta um mísero acorde ao pop nacional, servindo mais para movimentar atividades de fãs-clubes. No caso dos admiradores da Legião, o trabalho de Bonfá vai pelo menos atenuar as periódicas exumações do cadáver de Renato Russo, cuja biografia aliás deve ser lançada nos próximos meses. Em O Barco Além do Sol, que chega às lojas pela gravadora Trama, o discreto baterista da Legião canta, compõe e assina a maioria das letras em parceria com Gian Fabra.
As colaborações ficam por conta de Fausto Fawcett e Fernanda Takai e John (do Pato Fu). Com primazia de baladas, as letras giram em torno dos apelos do amor. Vamos brincar a noite inteira e rir de tudo outra vez / Feche os olhos e me dê a mão / que a chuva logo passa e o sol volta a brilhar diz a canção de abertura.
Ecos da ex-banda se espalham pelo repertório, como em Vera Cruz, cujo verso introdutório e a melodia remetem à já clássica Quando o Sol Bater Na Janela do Seu Quarto. Mas a fragilidade de suas interpretações contidas soa constrangedora para os ouvintes acostumados ao vozeirão de Renato. Da Legião, Bonfá trouxe também influências de pop inglês, o que pode ser conferido nos teclados atmosféricos e timbres de bateria.
Se Anjos Traídos persegue as texturas do Slowdive, Ouro em Pó inspira-se em The Cure e assim por diante. As guitarras (tocadas por Fred Nascimento), por sua vez, zumbem horrorosas como riffs roqueiros de bandas de baile de segunda classe. Quem ouvir com atenção, vai sentir saudades de Dado Villa-Lobos.
Decepcionante também é o CD Enquanto a Trégua Não Vem, gravado ao vivo pela Plebe Rude no final do ano passado e lançado agora pela EMI. O grupo estava fora de circulação desde 1993, quando os integrantes decidiram largar a música para se dedicar a outras profissões. Depois de um show-revival num festival brasiliense realizado em agosto, resolveram se juntar para ver no que dava.
O resultado foram outros shows e o registro de uma das apresentações. O repertório traz um apanhado de músicas antigas, acrescidas de duas inéditas, duas regravações (Luzes, do grupo Escola de Escândalos, e Medo, do Cólera), além de duas composições de Herbert Vianna (responsável também pela produção do material).
Na retrospectiva entraram Até Quando Esperar, Minha Renda, Johnny Vai à Guerra e outros gritos de inconformismo. Tudo requentado para tentar conquistar novas platéias, garotos e garotas enfim que sequer usavam chupetas quando o grupo apareceu mesclando atitude punk, guitarras sujas e melodias assobiáveis.
O mesmo pode ser dito da volta do Capital Inicial. Depois retornar com o álbum Atrás dos Olhos há dois anos, a banda de Dinho Ouro Preto passa a limpo sua trajetória rendendo-se à onda dos banquinhos e violões. Seu novo trabalho, Acústivo MTV, é um brinde para saudosistas recolhendo no passado canções que marcaram o pop da década de 80 como Veraneio Vascaína, Leve Desespero, Fátima e Música Urbana.
Diferente de outros projetos congêneres, a banda dispensou naipe de metais e quartetos de cordas durante a gravação, o que aproximou a sonoridade das versões originais. O show para amigos e convidados aconteceu em março no Teatro Mars, em São Paulo, e será exibido pela MTV no próximo dia 26 às 22h30. Além dos sucessos, o CD traz uma versão do hit Primeiros Erros, de Kiko Zambianchi (ele é uma das participações especiais do disco ao lado da cantora Zélia Duncan) e ainda duas composições inéditas. Uma delas, Tudo que Vai, faz até a gente acreditar no potencial dos rapazes para o próximo disco. Com pegada pop irresistível, foi a escolhida para tocar no rádio. Menos mal.


