Tudo começou com os acampamentos, as invasões de festas e os pequenos shows. Era 1976, ano do estopim punk. Tudo girava em torno das bandas. Dez anos depois, a turma já se dissolvia com a mudança de alguns meninos para o eixo Rio-São Paulo e sua transformação em ídolos do rock nacional.
Essa aventura tem muitas versões, mas a maioria delas foi reunida no livro ‘‘O Diário da Turma 1976-1986: a História do Rock de Brasília’’, que o jornalista Paulo Marchetti acaba de lançar pela editora Conrad. O livro rastreia os primórdios de bandas como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude e mostra como a Capital Federal se tornou o principal celeiro do rock brasileiro nessa época.
O mapeamento começa na Colina, um conjunto de blocos residenciais que fica dentro da UNB (Universidade de Brasília) e que virou ponto de encontro dos primeiros punks da cidade. Para garantir fidelidade ao relato, foram entrevistadas 60 pessoas, que vasculham a memória para trazer à luz episódios de ensaios, brigas, namoros e arruaças.
Fugindo da narrativa-padrão, o volume é conduzido pelos depoimentos, que são apenas pontuados pelo autor. Músicos famosos como Herbert Vianna e Bi Ribeiro (Paramalas do Sucesso), Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá (Legião Urbana), Dinho Ouro Preto (Capital Inicial), Philippe Seabra e André Mueller (Plebe Rude) e Canisso e Digão (Raimundos) dividem as páginas com persoangens identificados apenas por seus apelidos.
Além de revisar toda a trajetória do rock brasiliense, o livro traz fotos raras, uma discografia com tudo que cada um de seus integrantes gravou até 2000 e uma árvore genealógica onde mostra todas as bandas locais e suas formações. Na contracapa, um texto de Dinho Ouro Preto sintetiza sua visão do que se passou.
‘‘Se todas as adolescências são iguais’’ – escreve ele –, ‘‘às vezes calha de numa só turma todos resolverem, de algum modo, ser artistas. Às vezes calha de o país estar vivendo simultaneamente uma profunda transformação política. O sentido de urgência da juventude, às vezes, parece conduzir o país. Todos queremos mudar a mundo, e em alguns momentos achamos que realmente dali em diante tudo será diferente. No final, o país pode não ter mudado muito. No final, era só a adolescência de mais uma turma. Mas não duvide: ao menos esse povo sabia se divertir’’.
Serviço:
‘‘O Diário da turma 1976-1986 : A História do Rock de Brasília’’. Autor: Paulo Marchetti. Editora Conrad. Tel. (11) 279.9355. Preço: R$ 39,00.

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