No coração do Brasil ergue-se a Serra do Roncador, um complexo de paradões, entrecortado por matas e cachoeiras, que foi explorado pelos bandeirantes a partir do século 18 e mais tarde pelo Marechal Cândido Rondon, encarregado de abrir o ainda inóspito centro-oeste no começo do século 20. Agora, no nascimento do Terceiro Milênio, a região está sendo invadida por outro tipo de expedição: a dos místicos, sempre em busca dos poderes energéticos das formações rochosas que começam no leste do Mato Grosso e se estendem por mais de 1.000 quilômetros até Goiás.
Conhecida como ''rota dos discos voadores'', a região atrai cada vez mais ufólogos e esotéricos, os últimos acreditam na existência de mundos subterrâneos e cidades perdidas que ligariam o Brasil Central com os Andes, no Peru. A crença sobre o grande túnel que uniria as civilizações começou com a exploração do coronel Fawcett nos anos 20. O militar, súdito do império britânico, teria desaparecido num portal entre as pedras a oeste do Roncador (leia texto na página 2), num local onde hoje fica o Parque Nacional do Xingu. Sua história carimbou a lenda para as gerações futuras. Quase um século depois da expedição de Fawcett, muitas pessoas ainda acreditam na possibilidade de encontrar cidades subterrâneas que se abririam num passe de mágica entre as rochas de arenito, por onde o vento sopra com intensidade provocando um ''ronco'' estranho e contínuo que inspirou o nome do lugar.
A região realmente tem seus encantos e mistérios. Toda essa fama levou a cidade de Barra dos Garças - na divisa de Mato Grosso e Goiás, e a 60 quilômetros do começo da serra - a abrigar cerca de 18 grupos místicos. Entre eles, está a Sociedade Eubiose, com sedes em outros pontos do País, e a Universidade Livre, uma organização avessa a contatos com visitantes que, segundo os guias turísticos, reúne doutores em várias ciências como a Física e a Biologia.
Por trás das lendas ou da pura verdade, os místicos também são uma atração do lugar. Um desses grupos, denominado Filhos do Sol, realizou no dia 21 de setembro o ritual de Abertura do Portal do Roncador, para o qual a imprensa foi convidada.
É difícil descrever a ansiedade e o cansaço em percorrer de ônibus - por estradas sem asfalto, telefones ou lanchonetes - mais de 300 quilômetros, a partir de Barra do Garças, até um local chamado Gruta do Santuário, no município de Cocalinho, a cerca de 800 quilômetros de Cuiabá. A caverna que abrigou o ritual secreto foi escolhida para os trabalhos do grupo Filhos do Sol, nome condizente com a tradição hermética dos incas e também com a luz e calor que emanam da Serra do Roncador, onde a temperatura chega, pelo menos, a 30 graus durante quase todo o ano.
Divididos entre a credulidade dos participantes e a desconfiança dos que põem em xeque as manifestações espirituais, jornalistas e fotógrafos puderam presenciar o ritual num clima marcado pela solenidade e que contou com místicos do Brasil e do exterior.
Leia mais sobre o assunto na página 4.

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