A TRAJETÓRIA DO
CAMALEÃO DO ROCK
O músico pop
inglês David
Bowie é destaque
hoje na
programação
do canal pago
Multishow
Nelson Sato
ReproduçãoDavid Bowie: programa inédito na TV brasileira reúne imagens de shows, entrevistas e depoimentos
No rock, a indigência mental sempre foi uma regra. Poucos artistas tentaram, com seus talentos, conferir-lhe alguma dignidade culta que o elevasse à condição de arte.
O cantor e compositor David Bowie é uma dessas exceções. E a prova pode ser tirada hoje à tarde com a exibição de um especial sobre o músico inglês no canal pago Multishow. O programa, inédito na televisão brasileira, vai ao ar às 16 horas mostrando trechos de shows, entrevistas e depoimentos.
Com produção de Julian Birkett, o especial ‘‘corre seus riscos’’ ao tentar sumarizar em 1 hora uma das mais fascinantes trajetórias do showbizz. Hoje com 51 anos, Bowie divide discretamente opiniões. Discretamente porque sua figura já não rende polêmicas como nos anos 70, período considerado por muitos o mais criativo de sua trajetória mutante.
Aliás, o filme Velvet Goldmine acaba de chegar às telas ambientado na época, inspirado na fase ‘‘glam’’ do artista e com o título emprestado de uma de suas canções. Há porém quem prefira seus trabalhos posteriores do final daquela década, quando se juntou ao produtor da vanguarda pop Brian Eno para lançar a trilogia de álbuns experimentais Low, Heroes e Lodger.
Outros ainda apontam o álbum Let’s Dance (de 82), seu último sucesso de vendas, como insuperável. Escolhas à parte, ninguém é louco para excluir alguns de seus discos de uma lista dos 50 melhores da história do rock. Mas nos anos recentes seu prestígio caiu ao nível de meio-fio. Só com o último CD conseguiu impor sua reputação, mesmo assim cercado de detratores.
Lançado no ano passado, Earthling mesclava rock e drum’n’bass - ritmo rápido e alucinado oriundo de clubes noturnos londrinos que levanta pistas de dança desde 92, apoiado em samples e carga pesada de bateria e baixo. A turnê do álbum trouxe Bowie pela segunda vez ao Brasil como convidado do festival Close Up Planet.
Para uns, o disco soa oportunista e mero pastiche da produção nervosa da nova geração de DJs. Para outros, reafirma sua fama de ‘‘camaleão do rock’’ atribuindo-lhe a habitual capacidade para metabolizar novas tendências. A novidade agora é o lançamento de um álbum ao vivo, anunciado para chegar às lojas até o fim do ano com os shows gravados durante a última turnê. O repertório deverá incluir uma faixa inédita (‘‘Fun’’) e remixes assinados pelos DJs Danny Saber e Dillinja.
Aos fãs que perderem a exibição de hoje à tarde, a emissora programou uma reprise para amanhã às 7h30.

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