Carmen, sinônimo de mulher forte e poderosa, nasceu sob assinatura de Prosper Mérimée, em 1845, e se tornou um imenso sucesso editorial. A história narra os amores da cigana Carmen e do desventurado jovem sargento D. José, um Otelo espanholado. Ela se submete à inconstância do amor, enquanto D. José se deixa arruinar por uma verdadeira obsessão, tentando transformar a ardente mulher em imagem materna. Carmen-gitana vivia entre os contrabandistas. Seu parceiro é sempre o amor. Para a sociedade romântica do século XIX, a amante da liberdade e mulher impetuosa, se tornou amoral.
A adaptação para o teatro lírico aconteceu em 1875. Dois experts em libretos, Henri Meilhac e Ludovic Halévy, suavizaram as tintas fortes da novela original. Caolho, marido de Carmen, foi suprimido e surgiram Micaela, noiva de D. José, e o toureiro Escamilho.
Essa foi a última ópera de Bizet, que esbarrou com a hostilidade da crítica e de uma parte do público, na estréia. Na noite de 2 para 3 de junho de 1875, após a 31ª representação, Bizet morre subitamente, vítima de câncer na garganta. Em seus últimos dias, vivia com alucinações auditivas, mergulhado em grave depressão.(F.F.)

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