A trajetória de um mestre
O primeiro contato de suas mãos com a pele de algum instrumento de percussão se deu cedo, aos sete ou oito anos, quando Naná foi admitido pelo próprio pai para tocar bongô e maracas em um conjunto do Recife. A música invadia sua casa pelo rádio da sala e pelo violão do velho Vasconcelos. Naná sentiu a música nascendo em casa, assistindo ensaios que o pai fazia. Seu primeiro instrumento profissional, no entanto, não foram os sets de percussão que mais tarde ele mesmo criaria e aumentaria, mas a bateria.
A liberdade no discurso do free jazz dos anos 1980 foi algo definitivo na construção da linguagem do percussionista. E sua escalada rumo ao mundo dos titãs do jazz começa muito antes, em São Paulo. Com Nelson Angelo, Franklin e Geraldo Azevedo, formou o Quarteto Livre para acompanhar Geraldo Vandré na antológica Pra não dizer que não falei de flores, defendida na fase paulista do III Festival Internacional da Canção.
O boca a boca sobre seu nome aumentava. Em 1969, ele aparece ao lado de Gal Costa para um show no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Forma então o Trio do Bagaço, com Nelson Angelo e Maurício Maestro, e vai até o México convidado pelo pianista Luizinho Eça. Trabalha ainda para a trilha sonora do filme Pindorama, de Arnaldo Jabor, e ali conhece o saxofonista argentino Gato Barbieri.
Barbieri o leva para a gravação de um disco em Nova York (EUA), sem saber que abria um portal sem volta para Naná Vasconcelos. Depois de participar de uma série de festivais de jazz, o pernambucano grava com nomes como Jean-Luc Ponty, Don Cherry, Roff Kün, Oliver Nelson e Léon Thomas.
De volta ao Brasil, Naná se torna a maior autoridade na percussão do País. Fez com Egberto Gismonti, em 1976, um de seus discos mais importantes chamado Dança das Cabeças. Aos que tinham dúvidas do que ele poderia fazer com alguns instrumentos no palco, bastavam minutos diante de sua performance para entender o fascínio que Naná causava no mundo. Ele regia a plateia, dividindo-a em 'naipes'. Alguns batiam palmas, outros assobiavam, outros tocavam as bochechas. E todos eram transportados para algum canto criado pela imaginação de Naná Vasconcelos. (J. M./Agência Estado)





