A trajetória de Roberto Carlos sob a ótica dos críticos musicais

Resenhas sobre álbuns do artista publicadas desde os anos 1960 em grandes jornais e revistas do país foram reunidas no livro “Roberto Carlos – Querem Acabar Comigo”

Marcos Roman - Grupo Folha
Marcos Roman - Grupo Folha

 

A trajetória de Roberto Carlos sob a ótica dos críticos musicais
Divulgação
 


Maior fenômeno da música brasileira, com cerca de 150 milhões de álbuns vendidos, Roberto Carlos é reverenciado por um séquito fiel formado por fãs anônimos e famosos. As dezenas de hits radiofônicos acumulados por ele há mais de cinco décadas são cantados em coro por um público variado que inclui jovens e idosos, ricos e pobres, operários e intelectuais. No entanto, o trabalho do artista que movimenta multidões nem sempre teve o mesmo respaldo da crítica especializada, que se dividiu em momentos diferentes de sua carreira o chamando desde de genial, mestre e decifrador do inconsciente coletivo até oportunista, ultrapassado e repetitivo. A trajetória do “Rei” sob a ótica dos críticos musicais do país é mostrada no livro “Roberto Carlos – Querem Acabar Comigo”, de autoria de Tito Guedes, que reuniu na obra centenas de textos publicados sobre o cantor e compositor desde os anos 1960 até os dias de hoje. 

 

Pesquisador que trabalha no Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB), o autor do livro, Tito Guedes, reuniu na obra vários trechos de resenhas sobre os álbuns de Roberto Carlos publicados em grandes veículos como Folha de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Manchete e Veja. Os textos selecionados foram assinados por jornalistas, escritores e críticos de prestígio, como Sérgio Cabral, Flávio Marinho, José Miguel Wisnik, Antonio Carlos Miguel, Tárik de Souza, Carlos Calado, Mauro Ferreira e Jotabê Medeiros.    


 

A trajetória de Roberto Carlos sob a ótica dos críticos musicais
Divulgação
 

 

Lançado pela editora Máquina de Livros no embalo das comemorações do aniversário de 80 anos do artista, celebrado no dia 19 de abril, o livro “Roberto Carlos – Querem Acabar Comigo” constata que a crítica musical foi pouco generosa com o cantor desde que ele surgiu em cena há mais de meio século.  Os poucos momentos de trégua se deram quando Roberto foi abraçado por medalhões da MPB, esses sim respeitados pela imprensa especializada: na Tropicália, com Caetano Veloso à frente; no fim dos anos 70, quando Nara Leão foi a primeira cantora a gravar um LP só com músicas do cantor; e nos anos 90, após Maria Bethânia gravar um disco-tributo com sua obra. 

 

Em entrevista à FOLHA, Tito Guedes comenta detalhes sobre o livro que mostra um novo olhar sobre a trajetória do “Rei” da canção popular brasileira a partir de resenhas críticas dos álbuns lançados por Roberto Carlos. 


O que o motivou a realizar essa pesquisa em torno das críticas escritas sobre Roberto Carlos?  


O desejo de estudar esse fenômeno partiu de uma constatação minha de que a relação do Roberto com a crítica sempre foi muito singular. Existem artistas, por exemplo, que quase sempre tiveram a crítica ao seu lado, aplaudindo seus novos trabalhos. Outros foram totalmente ignorados ou execrados, como é o caso de cantores considerados "bregas", como Waldick Soriano. Roberto sempre ficou no limiar dessa situação. Embora ele tenha sofrido críticas predominantemente negativas ao longo dos anos, de meados da década de 1960 até final da de 1990, todos os seus discos mereceram destaque e análises aprofundadas. Ou seja: os críticos raramente embarcavam 100% nos discos do Roberto, mas os consideravam relevantes o suficiente para comentá-los anualmente.  


Que avaliação você faz sobre a opinião dos críticos em relação ao trabalho do artista?  


Em primeiro lugar, é notável que as críticas musicais refletem seu tempo. A cada momento histórico, esses textos revelam não só opiniões acerca de Roberto, mas também como aquele grupo de jornalistas entendia a música popular de forma geral. Para além disso, talvez tenha faltado a muitos críticos um olhar mais aprofundado e cuidadoso em torno das complexidades e nuances da obra do Rei. Em um texto de 1979, José Miguel Wisnik afirmou que "a crítica musical não está preparada para falar de Roberto Carlos". É uma frase contundente, mas quer dizer exatamente isso: talvez tenha faltado olhar para detalhes mais subjetivos de sua obra e menos para questões recorrentes como o número de vendas de seus discos ou sua falta de posicionamento político.  


Há um consenso entre os pontos positivos e negativos apontados pelos críticos sobre a obra de Roberto? 


Muitas vezes, sim. Embora muitos críticos divergissem em questões pontuais ou na análise geral de Roberto enquanto artista, o tom dos textos era sempre parecido. Dos anos 80 em diante, por exemplo, quase todos os críticos repetiam o mesmo argumento de Roberto estava repetitivo e estagnado artisticamente. Dos pontos positivos, é quase unanimidade o elogio à voz de Roberto e sua interpretação contida e moderna, à la João Gilberto.  


Serviço:

Livro Querem acabar comigo – Da Jovem Guarda ao trono, a a trajetória de Roberto Carlos na visão da crítica musical

Autor - Tito Guedes

Editora - Máquina de Livros

Preço médio - R$ 42,00 (impresso) e R$ 28,90 (e-book)

Páginas: 144

Receba nossas notícias direto no seu celular, envie, também, suas fotos para a seção 'A cidade fala'. Adicione o WhatsApp da FOLHA por meio do número (43) 99869-0068 ou pelo link wa.me/message/6WMTNSJARGMLL1

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito
Assine e navegue sem anúncios [+]

Últimas notícias

Assine e navegue sem anúncios [+]

Continue lendo