A TRADIÇÃO DOS MALDITOS
Nelson Sato
De Londrina
O espírito dos malditos, românticos e transgressores volta a insuflar a contemporaneidade. De hoje a meados de junho, o legado da rebeldia será discutido na Universidade Estadual de Londrina (UEL) numa programação que reúne uma palestra, o lançamento de um livro, um curso de extensão e a publicação de uma edição temática da revista Toda Via.
A promoção é do Núcleo de Estudos do Romantismo Nero um grupo de professores, alunos e estudiosos de diversas áreas criado em maio do ano passado na UEL com o objetivo de pesquisar temas ou personagens malditos da história.
Nada a ver, portanto, com o romantismo piegas ou de manual escolar. O evento será inaugurado hoje às 19h30 com uma palestra da professora doutora Eliane Robert Moraes, da cadeira de Literatura e Estética da PUC-SP. A convidada vai falar sobre os escritores românticos libertários enfocando particularmente a obra do francês Marquês de Sade, sobre o qual já escreveu dois livros.
Também hoje à noite será lançado Sade Um Anjo Negro da Modernidade, de autoria do professor de História da UEL, Gabriel Giannattasio. O volume, originalmente sua tese de doutorado, chega ao público pela editora Imaginário. Segundo o autor, o livro tenta resgatar o Divino Marquês do mar de clichês que sua imagem inspirou ao longo do tempo.
Sade é uma figura pouco conhecida ou conhecida equivocadamente diz. A psicanálise contribuiu muito para sua vulgarização. Hoje quando se fala em Sade, todos o associam ao sadismo, à idéia da obtenção de prazer diante da dor de outro. Reduzi-lo a isso é um desserviço à sua obra, que é muito mais rica. Procurei mostrar não o Sade literato, ou o das práticas sexuais, mas o Sade filósofo do século 18, que foi um interlocutor crítico do iluminismo.
Paralelamente à palestra e ao lançamento do livro, os presentes serão brindados com a primeira edição especial da revista Toda Via, produzida por alunos do curso de Especialização em História Social da UEL. Desta vez, todos os artigos e ensaios giram em torno de obras e personagens hereges, incluindo uma reflexão sobre o manifesto Abominável Mundo Novo do terrorista Unabomber e a reprodução do texto Para Acabar de vez com o Juízo de Deus do dramaturgo Antonin Artaud.
O curso de extensão, por sua vez, dá o tiro de largada amanhã. Será realizado aos sábados, a partir de 14 horas, na sala 152 do CCH (UEL). Sua proposta, segundo o professor Gabriel Giannattasio, é rediscutir o conceito de romantismo mapeando sua contribuição para as diversas áreas do conhecimento.
O romantismo deu origem e dialogou com várias artes salienta ele. Mas seria um erro classificá-lo como um movimento seja ele artístico, estético ou literário. Não se trata de um programa ou de um fenômeno datado e sim de um modo de existir, uma postura de vida, uma sensibilidade. E hoje, no final do século 20, o que o romantismo tem a nos dizer? É o que pretendemos investigar durante esse evento.
Na abertura do curso, amanhã, Giannattasio fala sobre romantismo e modernidade. No próximo sábado, dia 1º de abril, o professor e mestrando José Fernandes Weber aborda romantismo e filosofia. No dia 8 de abril, é a vez do poeta e tradutor Maurício Arruda Mendonça tratar de romantismo e literatura.
No dia 15 de abril, o tema romantismo e teatro é dissecado pelo professor e mestrando Mauro Rodrigues. No dia 6 de maio, o tema romantismo e história ganha análise do professor doutor David Ferreira de Paula. No dia 13 de maio, o crítico de cinema Carlos Martins Delgado esmiuça as conexões do romantismo e o cinema.
No dia 20 de maio, o professor doutor Sérgio Queiroz Neto debate romantismo e a política. No dia 27 de maio, a relação romantismo e música é examinada pela professora doutora Janete El Haouli. No dia 3 de junho, a professora doutora Marta Dantas expõe sobre o romantismo e as artes plásticas. No dia 10 de junho, por fim, o romantismo e a comunicação ganha abordagem do jornalista e historiador Tony Hara.
As inscrições para o curso estão abertas na secretaria de Departamento de História da UEL. O telefone é (43) 371 4398.Romantismo e modernidade é tema de um curso que será inaugurado hoje na UEL com uma palestra e lançamentos de um livro e uma revista
Dorico da SilvaGabriel Giannattasio lança hoje livro sobre o Marquês de SadeReproduçãoEdição temática da Revista Toda Via traz artigos e ensaios sobre romantismoReproduçãoMarquês de Sade, na ilustração de capa do livro de Gabriel Giannattasio: interlocutor crítico do iluminismo





