A todo vapor
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terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Caroline Borges<br>TV Press 
Marcius Melhem é hiperativo. E não é à toa que a cabeça do humorista está sempre em uma constante ebulição de ideias. À frente dos textos do "Zorra" e do "Tá no Ar: A TV na TV", o roteirista está em um dos seus melhores momentos na carreira em termos de criação artística e liberdade autoral dentro da Globo. Encabeçando diversos projetos, Melhem exercita cada vez mais seu perfil roteirista na televisão. "Adoro trabalhar. Tenho sorte de trabalhar com pessoas que gosto e em produções interessantes. Por isso, o cansaço é a última coisa em que penso. Estou totalmente concentrado nas responsabilidades que assumi na emissora. Isso me faz trabalhar mais", ressalta.
Natural de Nilópolis, no Rio de Janeiro, Marcius iniciou na televisão de forma tímida, com pequenas participações em novelas, como "Mulheres Apaixonadas", de 2003, e "Da Cor do Pecado", de 2004. No entanto, foi através do humorístico "Zorra Total" que ganhou reconhecimento do público. Na produção, ele contracenava com Leandro Hassum - interpretavam os seguranças Pedrão e Jorginho, respectivamente.
Formado em Jornalismo pela PUC-Rio, Melhem sempre buscou conciliar seu talento para a escrita com a atuação ao longo de sua trajetória. "Escrever é uma paixão. Sou jornalista de formação e sempre me vi escrevendo. Atuar é que surgiu por acaso. A migração da realidade para a ficção foi muito natural", afirma.
O "Tá no Ar" está em sua terceira temporada. Você esperava que o programa fosse ter essa sobrevivência na grade?
A gente desejava, mas não esperava. Nosso maior objetivo na temporada de estreia era fazer uma leva de episódios espetacular. Então, depois disso, a cada temporada estamos tentando nos reinventar. A tevê muda constantemente. Então, nós também precisamos mudar. A dificuldade de fazer um programa por temporadas é de preservar o que o público gostou e criar conteúdos novos para surpreender.
Existe alguma chance do "Tá no Ar" virar programa fixo na grade da Globo?
O programa exige uma carga de trabalho muito alta. A gente grava seis dias por semana. Então, quando a gente condensa em 12 episódios, podemos ter mais qualidade para discutir detalhes entre as temporadas. Só colocamos o filé do filé. Mas, se tivéssemos 30 episódios, por exemplo, ideias mais ou menos talvez tivessem de entrar. Trabalhar com uma quantidade menor ajuda em todas as etapas: escrever, realizar e pós-produzir.
Recentemente, o "Zorra" recebeu críticas após um esquete que envolvia questões religiosas. A patrulha do politicamente correto é um empecilho na hora da criação?
Em uma democracia, a liberdade de expressão é uma via de mão dupla. Colocamos no ar conteúdos que acreditamos e quem não gostar tem todo o direito de reclamar. E, se falam de nós bem ou mal , é porque nós temos relevância, provocamos, incomodamos. Pior seria sermos ignorados. Essa liberdade gera uma grande responsabilidade também. A gente busca discutir um humor em que a sociedade se veja representada.
Como assim?
A gente tem de citar marcas durante o programa, por exemplo. Se começarmos a falar achocolatado, lâmina de barbear ou fotocópia, a sociedade não vai se ver representada. Porque essa não é a forma da população falar. A gente quer que role uma identidade quando o público se vê na tela.
Você assinou outros projetos na Globo, como "S.O.S Emergência", "Casos & Acasos" e o "Esquenta!". Estar envolvido com roteiros dentro da tevê sempre foi um objetivo na sua trajetória?
Escrever é a minha grande paixão. Sou formado em Jornalismo. Então, essa migração da realidade para a ficção foi muito natural. Até porque, tanto na dramaturgia quanto no jornalismo, não fazemos nada mais do que contar uma história.
Você também pode ser visto na reprise de "Caminho das Índias". Voltar a fazer novelas está nos seus planos?
Adoraria fazer novelas novamente e faria de novo com o maior prazer. Mas, no momento, os projetos em que me envolvi não me dão tempo. Gosto muito de rever minhas participações. Me trazem ótimas lembranças.
Parceria pausada
Boa parte da trajetória profissional de Marcius Melhem está ligada a Leandro Hassum. Os dois ganharam repercussão após interpretar os seguranças Pedrão e Jorginho. Originalmente, os personagens eram um quadro do "Zorra Total". No entanto, em 2010, ganharam um programa solo na grade, "Os Caras de Pau". Porém, após anos trabalhando juntos, ambos decidiram seguir por caminhos distintos na tevê. "Temos vontade de trabalhar juntos de novo. Mas, agora, não temos nenhum projeto novo à vista. A qualquer momento acontece de novo", planeja. (C.B.)
Instantâneas
# Marcius Melhem chegou a integrar a equipe do "Divertics". No entanto, ainda durante o processo de pré-produção, deixou o humorístico.
# Antes de estourar na tevê, Marcius alcançou sucesso com o espetáculo "Nós na Fita", ao lado de Leandro Hassum. "Fiz muita coisa independente da tevê nos palcos. O 'Nós na Fita' fez sucesso no teatro antes de eu fazer na televisão", lembra.
# O ator tem apenas uma passagem pelo cinema, com o filme "Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel".


