Pedro do RosárioBoi Mamão: coletânea segurou o baterista


As bandas de Curitiba Skuba e Boi Mamão estão prestes a ganhar destaque numa onda que promete encharcar rádios, CD players, palcos e pistas de dança neste verão: a do ska. A dobradinha estará integrando uma coletânea dedicada a este ritmo que o selo Paradoxx planeja colocar no mercado ainda antes do carnaval. A gravadora, apesar de não figurar entre as chamadas majors, costuma conquistar espaço para seus artistas investindo pesado na divulgação.
Um ‘‘aperitivo’’ do que a banda Skuba gravou para a bolachinha pode ser saboreado no Aeroanta de Curitiba na próxima quarta-feira, num show em dobradinha com os Kamundjangos, do Rio de Janeiro.
O Boi Mamão gravou as três faixas que cada banda tem direito em dezembro, em São Paulo. A Skuba acabou de finalizar sua parte, optando pelo Studio Sollo, em Curitiba mesmo. Vivendo sua ‘‘terceira onda’’, com bandas surgindo em todo o mundo, o ska vem mostrando as garras nos EUA com bandas como Goldfinger e Sublime, além de ganhar espaço no repertório de grupos punk-hardcore como Rancid e No Doubt.
Gilson Camargo Skuba: quatro faixas no disco



No território nacional, a mania também deve pegar. Surgem novas bandas em todos os cantos e, segundo uma pesquisa de marketing da Coca-Cola para escolher a trilha sonora da sua publicidade, o ska está entre os sons que devem estourar no verão.
Alegrial Apesar destas características sazonais do renascimento do ska, as duas bandas já investem no estilo há muito tempo. A Skuba nasceu pelas mãos do baterista Rodrigo Cerqueira, que em 1991 já navegava pelo ska na banda norte-americana Easy Big Fella, de Seattle, onde ele morou por dois anos. Para ele, que teve um programa pioneiro de ska no Brasil, o ‘‘Ska Face’’, na extinta Estação Primeira FM (Curitiba), este som tem tudo a ver com o Brasil.
‘‘O ska possui aquela alegria bem de terceiro mundo: mesmo quando perde a esperança, o pessoal ainda sacode a pança’’, acredita. ‘‘A volta deste ritmo, como a volta de muitos outros, de tempos em tempos, faz parte da movimentação natural dentro da música’’. A Skuba participa da coletânea com quatro músicas, três de autoria própria (‘‘Triado’’ e ‘‘Garota Regional’’) e uma versão para o hit ‘‘Eu Sou Boy’’, do Magazine, extinta banda de Kid Vinil.
Com a oportunidade de integrar a coletânea, o Boi Mamão salvou-se de uma grande perda. O baterista e sócio-fundador da banda Renê Bernunça, desanimado com a falta de interesse das grandes gravadoras pela banda, já estava de malas prontas para mudar-se para a Europa, onde pretendia virar-se como imigrante ilegal.
‘‘Tocamos em todo o país, saímos numa coletânea (a ‘‘Alface’’, de 1995), lançamos um disco independente (‘‘Boi Mamão’’, editado em meados do ano passado), tivemos vários clips na MTV e nada de pintar uma chance para mostrarmos nosso trabalho com divulgação nacional’’, explica Bernunça, que é considerado um dos melhores bateristas de rock da cidade. ‘‘Agora estamos de gás renovado’’.
Naipe de metais O som do Boi Mamão de hoje, uma mistura do ska com o hardcore, soa bem diferente da fase anterior da banda, que abria espaço para uma profusão viajante de ritmos e era marcada por experimentações sem fim. As linhas quebradas deram lugar a uma energia mais primal e urgente. ‘‘Enxugamos bem nosso som, para que ele ficasse mais acessível’’, admite Pawdphyta. Aproveitando o embalo que a banda deve desfrutar com o lançamento da coletânea, nos próximos meses o grupo parte para uma pequena tour pelo Nordeste.
Os ‘‘bois’’ passam por Vitória - onde a versão para ‘‘Vamos Invadir Sua Praia’’, gravada no álbum independente, virou hit numa rádio alternativa -, Salvador, João Pessoa e Recife. A participação do grupo, recém aumentado com a entrada de um naipe de metais, será com ‘‘Bola 8’’ e ‘‘Trabalho’’, além de uma versão para ‘‘Eu Gosto É de Mulher’’, do Ultraje A Rigor. As outras bandas que integram o disco são Mr. Rude, Manuels e Skamoondongos.

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