A terceira onda do ska
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 1997
Fabiano Camargo Sucursal de Curitiba 
Pedro do RosárioBoi Mamão: coletânea segurou o baterista
As bandas de Curitiba Skuba e Boi Mamão estão prestes a ganhar destaque numa onda que promete encharcar rádios, CD players, palcos e pistas de dança neste verão: a do ska. A dobradinha estará integrando uma coletânea dedicada a este ritmo que o selo Paradoxx planeja colocar no mercado ainda antes do carnaval. A gravadora, apesar de não figurar entre as chamadas majors, costuma conquistar espaço para seus artistas investindo pesado na divulgação.
Um aperitivo do que a banda Skuba gravou para a bolachinha pode ser saboreado no Aeroanta de Curitiba na próxima quarta-feira, num show em dobradinha com os Kamundjangos, do Rio de Janeiro.
O Boi Mamão gravou as três faixas que cada banda tem direito em dezembro, em São Paulo. A Skuba acabou de finalizar sua parte, optando pelo Studio Sollo, em Curitiba mesmo. Vivendo sua terceira onda, com bandas surgindo em todo o mundo, o ska vem mostrando as garras nos EUA com bandas como Goldfinger e Sublime, além de ganhar espaço no repertório de grupos punk-hardcore como Rancid e No Doubt.
Gilson Camargo Skuba: quatro faixas no disco
No território nacional, a mania também deve pegar. Surgem novas bandas em todos os cantos e, segundo uma pesquisa de marketing da Coca-Cola para escolher a trilha sonora da sua publicidade, o ska está entre os sons que devem estourar no verão.
Alegrial Apesar destas características sazonais do renascimento do ska, as duas bandas já investem no estilo há muito tempo. A Skuba nasceu pelas mãos do baterista Rodrigo Cerqueira, que em 1991 já navegava pelo ska na banda norte-americana Easy Big Fella, de Seattle, onde ele morou por dois anos. Para ele, que teve um programa pioneiro de ska no Brasil, o Ska Face, na extinta Estação Primeira FM (Curitiba), este som tem tudo a ver com o Brasil.
O ska possui aquela alegria bem de terceiro mundo: mesmo quando perde a esperança, o pessoal ainda sacode a pança, acredita. A volta deste ritmo, como a volta de muitos outros, de tempos em tempos, faz parte da movimentação natural dentro da música. A Skuba participa da coletânea com quatro músicas, três de autoria própria (Triado e Garota Regional) e uma versão para o hit Eu Sou Boy, do Magazine, extinta banda de Kid Vinil.
Com a oportunidade de integrar a coletânea, o Boi Mamão salvou-se de uma grande perda. O baterista e sócio-fundador da banda Renê Bernunça, desanimado com a falta de interesse das grandes gravadoras pela banda, já estava de malas prontas para mudar-se para a Europa, onde pretendia virar-se como imigrante ilegal.
Tocamos em todo o país, saímos numa coletânea (a Alface, de 1995), lançamos um disco independente (Boi Mamão, editado em meados do ano passado), tivemos vários clips na MTV e nada de pintar uma chance para mostrarmos nosso trabalho com divulgação nacional, explica Bernunça, que é considerado um dos melhores bateristas de rock da cidade. Agora estamos de gás renovado.
Naipe de metais O som do Boi Mamão de hoje, uma mistura do ska com o hardcore, soa bem diferente da fase anterior da banda, que abria espaço para uma profusão viajante de ritmos e era marcada por experimentações sem fim. As linhas quebradas deram lugar a uma energia mais primal e urgente. Enxugamos bem nosso som, para que ele ficasse mais acessível, admite Pawdphyta. Aproveitando o embalo que a banda deve desfrutar com o lançamento da coletânea, nos próximos meses o grupo parte para uma pequena tour pelo Nordeste.
Os bois passam por Vitória - onde a versão para Vamos Invadir Sua Praia, gravada no álbum independente, virou hit numa rádio alternativa -, Salvador, João Pessoa e Recife. A participação do grupo, recém aumentado com a entrada de um naipe de metais, será com Bola 8 e Trabalho, além de uma versão para Eu Gosto É de Mulher, do Ultraje A Rigor. As outras bandas que integram o disco são Mr. Rude, Manuels e Skamoondongos.


