A terapia do faz-de-conta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de maio de 1997
Erika Pelegrino 
Gustave Doré/ReproduçãoPsicanalistas acreditam que ao viver na fantasia as suas emoções, as crianças aprendem a lidar melhor com elasHá significado mais profundo nos contos de fadas, que me contaram na infância, do que na verdade que a vida ensina. Não é apenas o poeta alemão do século XVIII, Jobann Schiller, que viu nos contos infantis um importante instrumento para o desenvolvimento emocional das crianças. Os contos de fadas são objeto de estudo de vários profissionais.
Para explorar este universo junto a educadores e crianças, o Sesc/Londrina promove hoje e amanhã o curso Canto e Contos de Fada, que será ministrado pela bibliotecária e docente Sueli Bortolin.
Os objetivos do curso são destacar os contos de fadas como recurso indispensável para a formação de crianças em idade pré-escolar, estimular professores a contar histórias, aproximá-los dos diversos contos de fadas existentes e motivá-los a cantar contando histórias. A música também será tratada no curso como importante instrumento de estimulação infantil.
Segundo especialistas, a importância de personagens como lobo mau, Chapeuzinho Vermelho, bruxas, madrastas e gigantes está no fato de funcionarem como antídotos às angústias e temores infantis. São estes personagens do reino do faz-de-conta que irão tratar dos sentimentos mais reais do ser humano, como: o ódio, a inveja, a rejeição, o medo da morte, da separação, da perda.
Importância Psicanalistas acreditam que ao viver na fantasia as suas emoções, as crianças aprendem a lidar melhor com elas, encontram alternativas e saídas para estes sentimentos e tornam-se adultos mais esperançosos e otimistas.
Embora os desenhos e programas infantis da era da tecnologia tenham ocupado um espaço considerável no dia-a-dia das crianças, as histórias de fadas e bruxas de antigos contos persistem através dos séculos na imaginação infantil.
Para aqueles que lançam dúvidas sobre a importância de se contar histórias para as crianças, Sueli Bortolin cita o psicanalista Bruno Bettelheim, autor da obra A Psicanálise do Conto de Fadas. O conto de fadas ajuda a criança na aceitação de um desejo que possui e que a atemoriza: o de separar-se para levar sua própria vida.
De acordo com Bettelheim, este desejo parece para a criança uma rejeição do amor que os familiares lhe deram, e por isso sentem-se culpadas. É aí que, segundo o psicanalista, encontramos uma das funções dos contos de fadas. O conto de fadas ajuda a criança a lidar com esse desejo e a elaborar, no imaginário, várias soluções para ele.
Fantasia Joseph Pearce em seu livro A Criança Mágica cita o caso de um garoto de sete anos, cujos pais consideravam que a criança deveria ser educada apenas dentro da realidade. Quando o garoto começa a ter problemas de aprendizagem na escola e os pais recorrem a um psicanalista, o diagnóstico é contundente: O que falta na vida desta criança é fantasia. A partir do momento em que os pais começam a contar histórias para o garoto, o seu comportamento volta ao normal.
Outros profissionais consideram que os contos de fadas são muito cruéis e por isso podem ser prejudiciais para as crianças. Neste caso, Sueli Bortolin dá a contrapartida. Mais cruel são os programas televisivos a que as crianças estão expostas, como o Jornal Nacional, por exemplo , diz.
É por estas e outras que a bibliotecária afirma que Canto e Contos de Fadas não é apenas um curso. É também uma oportunidade de vivenciar os contos de fadas através do ler, contar, ouvir e cantar histórias.
O curso do Sesc acontece na hoje, das 19 horas às 23 horas, e amanhã das 8 às 12 horas. Telefones para contato: 324-4949 ou 324-5989.


