O cosmólogo e físico teórico Marcelo Bermann pode ter resolvido o maior problema científico da física nos últimos dez anos: a soma dos spins dos quarks que formam um nêutron é menor que o spin do próprio nêutron, revelando uma incongruência em que o todo é maior que a soma das partes. O pesquisador, que mora em Curitiba e é professor do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), propõe que esta diferença deve-se à torção no espaço provocada pela matéria.
A proposição de Bermann foi publicada no International Journal of Theoretical Physics. ‘‘Não posso dizer que minha solução é definitiva, pois ainda pode ser contestada, mas é uma idéia para a solução do problema’’, diz o pesquisador. Ele soube do problema através de um artigo publicado na própria revista e resolveu a questão recorrendo a uma teoria do físico Albert Einstein e do matemático Elie Cartan.
O modelo proposto por Bermann baseia-se na Teoria Geral da Relatividade e no modelo inflacionário do Universo. ‘‘Einstein quis provar que a geometria do espaço influi na matéria e vice-versa’’, diz. Isto foi previsto na Teoria Geral da Relatividade, publicada em 1917. Dez anos depois, Einstein e Cartan propuseram que a matéria não só provoca curvatura no espaço, mas também provoca uma torção no espaço, definida por Bermann, como uma ‘‘deformação da curvatura’’. ‘‘Se houver torção no espaço, a crise está explicada e superada’’, diz.
SuperinflacionárioBermann desenvolveu um modelo do Universo, chamado de superinflacionário. O modelo é parecido com o modelo inflacionário. Só que no modelo inflacionário, a expansão exponencial do Universo teria ocorrido apenas durante uma mínima fração de segundo após a explosão inicial, conhecida como Big-Bang. Em seguida, a expansão da matéria é descrita com equações potenciais. No modelo de Bermann, a expansão é exponencial o tempo todo.
O modelo de Bermann para o universo utiliza apenas a física tradicional, dispensando a física quântica. Segundo ele, no início do Universo toda a matéria existente não teria se concentrado em um ponto de dimensão nula, antes de ‘explodir’ no Big-Bang e começar a se espalhar formando estrelas, planetas e galáxias.
Para o cientista, a esfera que reuniu toda a matéria do universo antes do Big-Bang teve um raio diferente de zero. Com isto, a física quântica é dispensável, já que só é utilizada para tratar de partículas elementares da matéria. ‘‘Se houver torção do espaço, a matéria não se reuniu numa esfera de raio nulo como propõe o modelo do Big-Bang’’, diz Bermann.
No modelo inflacionário não há nada antes do Big-Bang. No de Bermann, sim. As equações matemáticas desenvolvidas por ele indicam que o Universo é eterno, sempre existiu e existirá para sempre.
A teoria do Big-Bang diz que o universo está se expandindo a partir da ‘‘explosão’’ original. Num determinado momento, a matéria voltaria a se aproximar até se reunir num único ponto do espaço, dando origem a uma nova ‘‘explosão’’. O afastamento das estruturas do Universo - galáxias e seus aglomerados - já foi comprovado pela Ciência.

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