No recém reformado Cine-Teatro Padre José Zanelli, de Ibiporã, a pirataria também é apontada como uma das principais causas para a diminuição do público. Com 500 lugares e lotação de 300 pessoas (em estréias), o cinema tem um preço convidativo: R$ 5 para todo mundo. O local abriga apresentações artístico-culturais e tem sessões diárias, mas aqui também a bilheteria não é suficiente para bancar o cinema, que é mantido pela Fundação Cultural do município. ''Quando começou a pirataria, passamos por uma das fases mais difíceis. Mas com o passar do tempo, os jovens começaram a se cansar, e se conscientizar de que o DVD pirata tinha qualidade inferior, e o público começou a voltar ao cinema'', anima-se Antônio Moya, responsável pelo cinema.
Para escolher a programação, Moya confessa que foca na geração mais jovem, e dá preferência aos filmes mais comerciais e que são garantia de maior público, como os recentes Madagascar 2 e Crepúsculo. Ele também investe em divulgação de rua, com carro de som. ''Aqui não é como em um shopping, em que o movimento grande de pessoas ajuda na divulgação. Mesmo ficando no centro, a gente tem que fazer divulgação de rua, ou não sobrevive'', afirma.
Para este apaixonado pela sétima arte, o cinema é mais do que uma opção de lazer. ''É uma atividade social. A tevê, o VHS, o DVD e o home theather são ótimos, mas são mais um motivo para você ficar em casa. No cinema, você tem contato com gente, tem a pipoca, a paquera'', compara. ''Antigamente as pessoas sabiam quem era o diretor, os atores, comentavam sobre o filme. Hoje não se tem mais esse senso crítico. Meia hora depois de ver o filme ninguém sabe mais quem era o diretor'', lamenta Moya, mas sem perder as esperanças.
''A tendência é o público voltar às salas de cinema'', prevê, acrescentando que a proximidade com Londrina, ao invés de atrapalhar, pode funcionar até como um incentivo. ''Nós podemos pegar carona no sucesso de um filme e exibi-lo aqui. Além disso, nosso preço é bem mais em conta'', justifica, contando que quando Londrina deixou de exibir O Advogado do Diabo para dar lugar a Titanic, ele tratou logo de colocar o primeiro em cartaz. ''O filme estava estourando, veio muita gente de Londrina para assistir aqui''.(A.I.)

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