DivulgaçãoCena de ‘‘Viva o Povo Brasileiro’’, que estréia hoje no FestivalHoje, às 11 horas da manhã, tem espetáculo na Boca Maldita. ‘‘O Auto do Rico Avarento’’, com direção de Romero de Andrade Lima, traz ao boulevard a ingenuidade rústica e a malícia dos autos medievais. Aqui o auto é levado dentro de sua forma mais rigorosa. As demais atrações do dia ‘‘Viva o Povo Brasileiro’’, no Teatro de Reitoria, ‘‘Grand Hotel des Etrangers’’ e ‘‘No Alvo’’.
‘‘O Auto do Rico Avarento’’ conta a história de um homem muito rico, proprietário de muitas terras e gado, mas a sovinice personificada. Sobre ele diz um dos personagens, ‘‘não dava esmola e não ia na casa da mãe pra ela não vir na sua, lhe dando despesas’’.
Mendigos batem à sua porta, que na realidade é o Demônio. O fazendeiro morre e vai para o julgamento final. Aparecem nesse acerto de contas Jesus Cristo, Nossa Senhora e os anjos Miguel e Pedro.
A montagem tem as cores do folhetim e do circo. Os atores representam, tocam, cantam, dançam e brincam com a platéia, num espetáculo que usa toucheiros como o das antigas procissões.
Alegria, alegriaApesar dos pesares que ronda a vida de cada habitante deste País, ainda assim viva o povo brasileiro pela sua alma, sua tendência a querer - e ser - alegre e feliz. ‘‘Viva o Povo Brasileiro’’, que faz hoje sua primeira apresentação no Teatro da Reitoria, vai justamente ao encontro do espírito nacional.
Em se tratando de um povo musical - além de apaixonado, lírico, contraditório, irreverente, anárquico - nada melhor que usar o caudaloso repertório para pincelar o retrato tão bem definido dessa alma que move a Nação.
Tem cantos indígenas, africanos, religiosos, folclóricos e mais Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gonzaguinha, Edu Lobo, João Bosco e músicas inéditas de Fernando Brandt e Silvan de Oliveira. ‘‘Fala-se pouco e canta-se muito’’, explicam os autores.
Há um fio condutor que é narrado pelos ‘‘brincantes’’, entes poderiam ser um pouco arlequins, outro pouco cantadores. Dá-se o esboço da imagem - ou da paisagem - num espetáculo representado em meio a varas de cenário, urdimentos, cabo de aço, cordas e refletores colocados de maneira desordenada pelo palco. Seria como o teatro exposto em sua forma bruta, em contraste com a leveza das canções. Somatória de cargas emotivas.
Acertando o alvoNada de novo: a mãe cruel, autoritária gera uma filha fraca e oprimida, sem vida e sem força sob sua sombra. Viúva de um proprietário de uma fundição, o tipo perfeito da alta burguesia decadente, ela vive com a filha uma relação sadomasoquista. Estão para viajar para a casa de praia acompanhadas de um jovem escritor dramático.
Assim começa ‘‘No Alvo’’, cartaz do Teatro do Sesc, pela primeira vez encenada no Brasil. Aliás, é a primeira vez que o consagrado autor austríaco Thomas Bernhard (falecido em 1989), é encenado no Brasil.
A tragicomédia desnuda o discurso político e cultural das classes dominantes. Discute também o papel do artista na sociedade. Com este trabalho a atriz Maria Alice Vergueiro conquistou o Mambembe-1996, na categoria de melhor atriz.
Delírio‘‘Grand Hotel des Étrangers’’, no Guairinha, é um espetáculo de vanguarda apresentado por dois canadenses, Jean-François Blanchard e Serge Lamirande. Num quarto de hotel um homem vive uma de suas piores crises. Ele é um escritor e no limite da sanidade passa a interagir com suas fantasias e fantasmas, com anjos e demônios.
As lembranças, desejos reprimidos, sentimentos por muito tempo guardados vêm à tona e ocupam o palco na forma de efeitos visuais. Truques de ilusionismo do século passado foram resgatados pelos criadores Michel Lemieux e Victor Pilon, que lançam mão da tecnologia mais moderna. O clima é todo ele surrealista, e o personagem atravessa os caminhos da insanidade com a revelação.
Com apresentações por todo o Canadá e Estados Unidos, esta montagem é uma das mais consagradas da dupla Lemieux e Pilon, que trabalham juntos desde 1983.
q Auto do Rico Avarento - direção de Romero de Andrade Lima, com a Trupe Romançal de Teatro. Na Boca Maldita, às 11 horas.
q Viva o Povo Brasileiro - de Bartolomeu Campos Queirós, concepção, roteiro e direção de Regina Bertola. No Teatro da Reitoria, hoje às 21h30, e amanhã às 20 horas.
q No Alvo - de Thomas Bernahrd, direção de Luciano Chirolli. No Teatro do Sesc, hoje às 21h30, amanhã às 20 horas.
q Grand Hotel des Étrangers - de Claude Beausoleil, criação de Michel Lemieux e Victor Pilon. No Guairinha, hoje às 21h30, amanhã às 20 horas. Ingressos dos espetáculos: R$ 17,00 e R$ 10,00 (estudantes).

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