A sorte dos desejos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de abril de 2003
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha 
Quase todo mundo imaginou um dia ter nas mãos um objeto mágico que realizasse todos os desejos num segundo. Algo como a ''Lâmpada de Aladin'', em que basta um simples pedido e tudo se realiza, sem nenhum esforço, sem nenhum trabalho.
Os irmãos Jane, Mark, Katharine e Martha também sonhavam com algo assim. Ainda mais quando estavam de férias e não tinham nada para fazer. E foi assim que, com uma boa dose de sorte, encontraram uma moeda mágica capaz de realizar todo tipo de desejo. Bastava segurar a moeda e fazer um pedido.
Logo as crianças descobriram um pequeno problema: o amuleto realizava apenas metade do pedido. Se alguém pedia para ficar invisível, por exemplo, apenas metade do corpo desaparecia. Então perceberam que precisavam desejar sempre em dobro, o que, nas maioria das vezes, acabava em confusão.
As aventuras de Jane, Mark, Katharine e Martha foram criadas pelo escritor norte-americano Edward Eager (1911 - 1964) e estão no livro ''Mágica Pela Metade'', lançado recentemente pela Editora Cia. das Letras. Publicada originalmente em 1954, a obra é um dos clássicos da literatura infanto-juvenil americana.
Diante da imensa possibilidade de aventuras em mundos fantásticos, as crianças percorrem inicialmente um deserto da Arábia e depois partem para o para a época dos cavaleiros da Távola Redonda. Mas, em pouco tempo, as aventuras do cotidiano tornam-se as mais emblemáticas por estarem a poucos passos da realidade.
Duas coisas colocadas por Edward Eager em ''Mágica Pela Metade'' merecem destaque. A primeira é que, no decorrer da história, as crianças descobrem que precisam saber o verdadeiro valor de seus desejos que desejam concretizar. Isso para que confusões e problemas nascidos dos desejos concretizados não comprometam outras pessoas. E rapidez e facilidade da magia, podem acabar deixando tudo sem sal e sem açúcar.
A segunda é como o conflito entre o mundo infantil e o mundo adulto são apresentadas ao longo da história. Quando a mãe viúva, por exemplo, dá sinais de querer se casar outra vez, as crianças se dividem entre a esperança de ter um novo pai por perto e a possibilidade da lembrança do pai ser totalmente esquecida. Elas então compreendem que os dramas do mundo adulto não podem ser resolvidos apenas do ponto de vista infantil. E que nenhuma mágica é capaz de criar a verdadeira felicidade.
Serviço:
''Mágica Pela Metade'' de Edward Eager, ilustrações de N. M. Boedecker, Editora Cia. das Letras, tradução de Isa Mara Lando e Milton Lando, 190 páginas, R$ 25,00.


