À sombra do vencedor
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A peça Lenz, o Nº 2conta os tormentos vividos pelo escritor, que ofuscado pelo brilho de Goethe, morre louco e na miséria aos 41 anos. O diretor e escritor da peça Cesar Almeida aproveita o tema para provocar reflexões sobre situações atuais, usando um cenário atemporal
À sombra do vencedor
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Jacob Lenz era um escritor de respeitável talento, que passou a vida tentando ser Goethe. Ou derrubar Goethe, a essas alturas já entronizado como o mais importante literato de seu tempo. Não conseguiu e, perseguido pela tortura mais atroz, enlouqueceu. Morreu na miséria absoluta, aos 41 anos.
Lenz, o Nº 2, peça escrita e dirigida por Cesar Almeida, que estréia hoje no Teatro Lala Schneider, conta a vida desse homem que por ter ficado logo abaixo da figura máxima das letras, foi ofuscado pelo seu brilho. A sorte do segundo é sempre o esquecimento.
Apesar do amargor que move o personagem, a peça não se pretende um pesado tratado da vaidade ou da frustração humana. Cesar Almeida diz que há humor no texto, para em seguida observar que a platéia soltará risos nervosos. Faço uma paródia da tragédia e aproveito para discutir um problema atual que é a desenfreada busca da fama, do sucesso, do poder.
O espetáculo se passa num cenário atemporal, como se fosse uma ficção científica, na explicação do autor/diretor. No elenco estão Maurício Vogue (Lenz), Isydoro Diniz, Marino Júnior e Pagú.
Há cinco anos Almeida trabalha nesse projeto, mas uma das principais dificuldades foi encontrar material sobre Jacob Lenz. Sabe-se que ele era amigo íntimo de Goethe, daí ter para sempre seu nome vinculado ao literato mais ilustre.
Há poucos registros históricos sobre aquilo que Lenz escreveu, e para isso ele mesmo contribuiu com uma rala produção. Ficou ainda mais difícil em se fazer reconhecer além de seu tempo. Goethe deveria saber do pesadelo do amigo, pois acredita-se que o romance O Sofrimento do Jovem Werther seria uma referência disfarçada ao número 2.
A peça teve como base um relato de Georg Buchner sobre o escritor. Porém, alguns teóricos da atualidade afirmam ser Jacob Lenz o criador de uma linguagem interpretativa que culmina na obra de Bertolt Brecht. Lenz é a base submersa de um iceberg, em cuja ponta brilha a estrela de Brecht, acredita Cesar Almeida.
Lenz, o Nº 2, texto e direção de Cesar Almeida.Teatro Lala Schneider (telefone 225-2454). Até 3 de outubro, sempre de quinta a domingo, às 21 horas.





