ReproduçãoIsabelle Adjani é ‘‘Camille Claudel’’: entre o amor e a loucuraA dica desta semana é uma obra que retrata de forma majestosa a conturbada relação entre Auguste Rodin e sua amante Camille Claudel. Dirigido por Bruno Nuytten, o filme ganhou vários prêmios, incluindo o de Melhor Atriz para Isabelle Adjani. Produzido em 1988, ‘‘Camille Claudel’’ reconstitui a trajetória da escultora como uma das discípulas mais talentosas de Rodin, vivido por Gérard Depardieu, como também a história de uma paixão que durou 15 anos.
Sentido-se sufocada por esse amor, Camille inicia um calvário que começa com o alcoolismo e termina num manicômio, onde ela fica por cerca de 30 anos. Aproveitando-se do fato de na época das filmagens existirem poucos documentos sobre a vida de Camille, o diretor deu asas à imaginação e guiou o filme pela rota dos amores e desencontros da escultora, construindo um enredo envolvente que navega sem medo por águas turbulentas.
Em sua melhor forma, Isabelle Adjani brilha no papel de Camille Claudel. Ela vive a personagem em diferentes idades, transitando da jovem temperamental à mulher de meia-idade, triste e insana, com segurança e empatia surpreendentes. Outro recurso utilizado pelo diretor, para dar realce à história, foi a fotografia. Ao reproduzir na tela a luz difusa dos quadros impressionistas, ele ressaltou a atmosfera de irrealidade em que vivia a personagem, perdida na fronteira entre a razão e a loucura.
A maestria do diretor e o talento dos atores fazem de ‘‘Camille Claudel’’ um filme imperdível. A reconstituição de Paris no século 19 é perfeita: silhuetas dentro da noite, sombras nos muros e nas calçadas dão a dimensão necessária a uma história que conta o naufrágio de um ser humano. Duração: 160 minutos. (C.M)

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