À SOMBRA DE JÚLIO CESAR
TEATRO À SOMBRA DE JÚLIO CESAR Tragédia, ironia e comédia estão em Caeser, que será encenada amanhã. Montagem reúne companhias teatrais da Croácia, Eslovênia e Macedônia Fotos: Márcio ScatrutA coreógrafa Jasna Frankic-Brkljacic integra a trupe multicultural, que estréia amanhã no FTCO diretor croata Branko Brezovec traçou um paralelo entre a força moral e política do imperador romano e os problemas no leste europeuA atriz Olga Grad que interpreta Cleópatra no espetáculo Caeser Zeca Corrêa Leite De Curitiba Os abalos sísmicos ocorridos no leste europeu não foram mais fortes que a arte. Prova disso está no espetáculo Caesar que sobe ao palco do Teatro da Reitoria, amanhã, no 9º Festival de Teatro de Curitiba. A produção reúne três companhias teatrais: da Croácia, Eslovênia e Macedônia. Apesar do título e da inspiração calcada em Júlio Cesar, de Shakespeare, e Negócios do Sr. Júlio Cesar, de Brecht, o clima não pende para este ou aquele autor, disse o diretor croata Branko Brezovec. São muitos os climas, frisou. O pensamento principal é esta mistura de tragédia, ironia e comédia. No entendimento de Brezovec aquela região européia vive uma situação que está muito próxima daquilo que foi narrado em duas obras shakespereanas naturalmente Júlio Cesar e Rei Lear. O problema que ocorre ali atualmente está centrado em dois aspectos: da democracia e da autocracia. Nesse jogo de forças políticas falta para a maioria dos políticos a força moral que movia o imperador romano. Sobre ter sido ele uma personagem positiva ou negativa depende de cada um; o certo é que ele carregava uma força hoje inexistente. Com esse quadro pintado pelo diretor é que se explica os pontos principais do espetáculo, calcados no trinômio tragédia-ironia-comédia. Aliás, durante um festival em Zagreb, Caesar foi visto por Gerald Thomas que elogiou justamente o tom irônico da montagem em relação aos fatos locais. Para nós, o mais importante é isso: passar da ironia à tragédia, disse Brezovec. O diretor croata tem pontos em comum com o brasileiro Thomas: ambos gostam muito de ópera. Ou melhor, somos loucos por ópera. Para Branko Brezovec fica difícil escolher a que mais lhe agrada, porque gosta de todas. De qualquer modo cita La Traviatta, de Puccini, como representante do classicismo, e da ala moderna cita Lulu, de Allan Berg. Caesar terá duas apresentações no Teatro da Reitoria. Ela traz as assinaturas do diretor croata, do cenógrafo esloveno Mark Japelj e do figurinista macedônio Robert Gligorov. A encenação de Branko, atualmente o croata de maior renome internacional, traz o fantástico simbolismo visual, acompanhado de música e coreografia. Os textos dos dois dramaturgos misturam a outros, poéticos e dramáticos, de autores eslovenos e macedônios. A estrutura principal da montagem desenvolve-se por meio de três partes que oferecem possíveis transformações nos personagens centrais. Caesar, montagem baseada em Júlio Cesar, de Shakespeare, e Negócios do Sr. Júlio Cesar, de Brecht. Direção de Branko Brezovec. No elenco estão artistas da Croácia, Eslovênia e Macedônia. Estréia amanhã, às 21h30, com reapresentação dia 18, às 20 horas, no Teatro da Reitoria (Rua XV de Novembro, 1.299). Ingressos: R$ 20,00.





