A vaidade humana não aceita o amor ferido, uma dor que pode ser maior do que qualquer cicatriz amorosa, machucando tanto quanto saber que o homem não tem domínio total sobre a sua própria existência.
Essa presunção magoada, com a qual o homem moderno convive, está no escopo do espetáculo ''Doppelganger'' ou ''O Duplo'', que a Companhia Azul-Celeste, de São José do Rio Preto (SP), apresenta hoje e amanhã no FILO, às 21 horas, na Casa de Cultura (Rua Mato Grosso, 537).
Ela deflagra algumas necessidades de transformações dos códigos das relações sociais, que colocam o homem diante de um espelho em que não se reconhece mais.
Com texto de Domingos de Oliveira e direção de Jorge Vermelho, a peça visita o mito ''doppelganger'', encontrado em diversas culturas, mas que na água nítida da tradição germânica reflete melhor o seu rosto.
Uma lenda viking diz que existe um mundo duplo, o ''doppelganger'', paralelo ao que conhecemos. Ao se romper o tênue limite entre os dois universos, o duplo pode passar para o nosso mundo.
O ''doppelganger'' é o monstro que é capaz de simular a cópia do ser humano, que passa a acompanhá-lo. Uma presença maldita associada à morte e que, numa metalinguagem sobre a arte teatral, instaura uma crise existencial, propondo a reflexão do público sobre a existência humana.
No emaranhado das relações, um casal de atores e um psicanalista são conduzidos a terríveis revelações. Nenhuma delas está isenta da dor da vaidade ferida, já que pode se tornar um insuportável golpe na nossa presunção.

SERVIÇO:
- ''Doppelganger'' ou ''O Duplo''. Texto: Domingos de Oliveira. Direção, iluminação, trilha sonora, cenografia e adereços: Jorge Vermelho. Figurino: João Guerreiro. Maquiagem: Alex Dark.

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