A sociedade e as boas maneiras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
<br> Reportagem Local 
Mais de quinhentas páginas de boas maneiras. Quando escreveu História da Polidez, Frédéric Rouvillois não poupou pesquisa nem detalhes. O livro, vencedor do Gran Prix Du histoire de 2007 - um dos maiores prêmios da literatura francesa - apresenta um estudo sobre as boas maneiras na civilização, de 1789 até os dias de hoje.
A escolha da Revolução Francesa como ponto de partida se justifica à medida em que ela é o marco da transformação de costumes e hábitos impostos pelos novos detentores do poder. O radicalismo dos protagonistas da Revolução determinou que não havia mais senhores, e sim cidadãos.
As mudanças acontecem em todos os segmentos - o autor aborda o uso de luvas e chapéu, as trocas de correspondências, o comportamento em público e em família, as visitas. O mais interessante é que Rouvillois aponta estas mudanças através de paralelos com passagens de autores que definiram a França, como Balzac, Alexandre Dumas e Proust.
As reformas prometidas pela Revolução não ficam só no idealismo: o aumento dos impostos é um golpe para aqueles que têm muitos empregados. Os costumes sociais são redefinidos, desde a vestimenta até o tratamento das pessoas.
O livro, apesar de técnico, tem curiosidades bem atuais: Rouvillois coloca o trânsito como um dos grandes ''testes'' da gentileza humana. E também fala da paixão pelo esporte (e do comportamento 'animalesco' de alguns torcedores), chegando até à globalização da polidez iniciada ao final do século XX.
Os novos parâmetros sociais e éticos enterram hábitos antigos, ressaltam a liberação sexual. E em tempos de Internet, surgem novas regras de boa educação.
Rouvillois nasceu em 1964, mora em Paris onde é professor de Direito Público. Ele é autor de várias obras sobre história das ideias.
Serviço
- História da polidez
Autor - Frédéric Rouvillois
Editora - Grua
Quanto - R$ 69 (544 pág.)


