Com 21 anos recém-completados, Rhaissa Bittar combina duas características aparentemente distantes. É até difícil acreditar que por trás de tanta doçura - em seu canto e fora dos palcos -, resista uma personalidade forte para seguir uma carreira com seus próprios passos, sem manipulações. Mas o discurso seguro para uma menina de tão pouca idade pega qualquer um de surpresa, sem pieguices. ''Para uma menina sem um grande nome por trás, como eu, tudo tem um tempo diferente para acontecer. Não quero me impor pra ninguém. Quero ouvir esse disco daqui uns anos e achar um monte de defeitos, isso quer dizer que eu vou ter crescido'', diz Rhaissa, falando de 'Vioilà', seu primeiro CD que acaba de chegar às lojas.
Essa consciência aliada à despretensão de ''se descobrir cantora'', como ela define (embora tenha começado a estudar música aos 13 anos), fez com que a cantora concebesse um belo álbum de estreia. Contando com a participação de nomes como Nailor Proveta (clarinete), Ricardo Herz (violino), Maurício Pereira (voz e composição em Piquenique no Horto), Lula Alencar (sanfona) e Lucas Espósito (baixo), ''Voilà'' tem treze temas variados. Um disco leve, que consegue combinar um lado pop com muito refinamento. Muito se deve ao cuidado do instrumental e da produção do violonista Daniel Galli, que assina a maioria das composições, com destaque para Pa Ri, Pif-Paf, Chilique Chique, Boneca de Palha, Relógio, Pombo Correto e Entre Outras Coisas. ''O Daniel, com olhar de produtor, percebeu em mim um gosto por cantar personagens. A partir daí, ele começou a compor músicas que contassem histórias, independente do gênero. Isso me deu liberdade para viver uma madame na manicure ou uma nêga da gafieira que cuida do seu malandro''.

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