A sétima arte contra os piratas baratos
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
O público dos cinemas brasileiros sempre oscilou de acordo com as novas mídias que surgiam. Foi assim com a tevê, com o videocassete, a tevê a cabo e o DVD. Porém, a cada novidade, os espectadores foram diminuindo, e as salas de cinema, sem conseguir se manter, começaram a rarear. Além disso, a febre dos DVDs piratas, disponibilizando filmes que ainda estão em cartaz, contribuiu para diminuir ainda mais o número de pessoas que se dispõem a pagar para ver um filme na telona.
Segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 91% dos municípios brasileiros não tinham nenhuma sala de cinema em 2006. Em 1999, eram 80,9%. A pesquisa tomou como base 5.564 municípios. A título de comparação, nesse mesmo ano, segundo a Associação de Filmes da América, 1,4 bilhão de pessoas foram ao cinema somente nos Estados Unidos e Canadá. Ou seja, nesses países (e em boa parte do resto do mundo) o público de cinema continua cativo.
No Paraná, segundo uma relação do projeto Paraná da Gente, da Secretaria de Estado da Cultura, 42 cidades têm cinema - o que significa 10,5% dos 399 municípios paranaenses ou 8,4% dos cerca de 500 municípios brasileiros que dispõem dessas salas. Em Goioerê, Lupionópolis e São Pedro do Ivaí, porém, os cinemas estão desativados. E os que estão na ativa, como fazem para se manter?
Mais da metade dos cinemas que ainda persistem nas cidades pequenas sobrevive de recursos da administração municipal. Além disso, 13 foram reformados há uma década pelo projeto Velho Cinema Novo, do governo estadual. É o caso do Cine Teatro Mauá, de Arapongas, que também é alugado para eventos, principalmente entre outubro e dezembro.
Embora seja o único cinema para uma cidade com cerca de 100 mil habitantes, as sessões diárias não chegam a ter 80 pessoas em média - nem 20% da sua capacidade. ''As pessoas preferem ir a Londrina. Elas gostam muito de shopping, vão lá fazer compras e aproveitam para ir ao cinema'', lamenta Sérgio Lourenço de Carvalho, administrador da sala.
Carvalho recorda-se que, antes da reforma, o cinema estava fechado, e o prédio havia sido cogitado por uma igreja evangélica. Depois de tanto esforço para manter aberto o único cinema da cidade, porém, o retorno financeiro ainda não veio. ''Se fosse para o cinema se manter sozinho, não estava aberto até hoje. O que o mantém são os recursos do município'', revela, acrescentando que o número de funcionários caiu de 10 para apenas três.
A nostalgia é inevitável quando se relembra os tempos áureos do cine Mauá. ''Antigamente a praça aqui em frente lotava aos domingos. As pessoas vinham passear e depois iam ao cinema. Hoje em dia, elas preferem ficar em casa. A violência afastou as famílias'', observa, acrescentando que outro grande vilão é a pirataria. ''Assim que o filme fica pronto, já está na internet''. Nem o preço de R$ 5 (e R$ 2,50 a meia-entrada) tem conseguido vencer esse inimigo.


