Filme sobre a noite iugoslava do pós-guerra, ‘‘Barril de Pólvora’’ mostra um país sempre pronto a explodir
ReproduçãoDor e solidariedade estão presentes em ‘‘Barril de Pólvora’’Numa noite em Belgrado, depois da guerra, os destinos de um imigrante de volta ao país, de um lutador de boxe fracassado e de um garoto de Sarajevo vão se cruzar. Cada um está perto de explodir por uma coisa à toa, uma coisa qualquer como... um ‘‘Barril de Pólvora’’ (veja a programação na página 5).
É possível comparar os cineastas de origem sérvia Goran Paskaljevic e Emir Kusturica, ainda que um e outro sigam rotas diferentes. Os dois nos oferecem a mesma visão, recheada de humor negro, das vissicitudes de seu país. Mas Paskaljevic, que assina este excelente ‘‘Barril de Pólvora’’(Bare Baruda), é ainda mais pessimista que seu conterrâneo. O filme, adaptado de uma peça do macedônio Dejan Dukovski, oferece um afresco violento e patético de uma Sérvia em pleno caos.
Toda a inteligência e graça de ‘‘Barril de Pólvora’’ devem-se à construção à maneira de uma corrente sem princípio ou fim, uma roda viva de incompreensões, de ira, de frustrações e violência, uma ronda noturna e infernal onde se entrecruzam filhos de refugiados e predadores da guerra, vítimas e algozes. Em Belgrado, cada habitante tem o destino de seu vizinho. Construídos como uma tragédia shakespeareana, episódios e personagens possuem uma energia louca, bem aquela energia feita de desespero.
Todo o elenco de ponta é servido por atores iugoslavos de primera linha, muitos deles vistos em ‘‘Underground – Mentiras da Guerra’’ e no ainda inédito no Brasil ‘‘Gato Negro, Gata Branca’’, ambos de Kusturica.(CELJ)

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