A sensibilidade da mulher em "O Feminino na Dança", até o dia 7 no CCSP
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Karla Dunder 
São Paulo, 11 (AE) - O Centro Cultural São Paulo (CCSP) não pára. Na última semana encerrou o "Solos, Duos e Trios" e amanhã (12) dá início ao evento "Feminino na Dança". Até o dia 7, são as mulheres que vão apresentar as suas criações e interpretações. O público também poderá participar de workshops ministrados pelas coreógrafas.
A programação está dividida da seguinte maneira: de amanhã até o dia 23 estarão em cena "A Massa", de Angela Nolf e Débora Furquim, "Uva Passa", de Christiane Paoli Quito, e "Há Temporal", de Gaby Imparato. Do dia 26 ao dia 30 estarão no palco "Três Segredos Interiores", de Sigrid Nora, "s (AE) Lig", de Holly Cavrell, e "Acabou-se o Que Era Doce", de Duda Maia. Para finalizar, entre 3 e 7, o solo "O Homem de Jasmin".
Os workshops serão promovidos paralelamente aos eventos e são destinados a dançarinos e estudantes de dança. Para a inscrição basta comparecer no dia e horário determinados pelo Centro Cultural. Serão debatidos temas como a dança contemporânea e as danças populares brasileiras, com a presença de Duda Maia, Holly Cavrell e Marta Soares, entre outros. Abertura - "A Massa" é um espetáculo pensado a partir da argila como material e matéria-prima e, também, como obra de arte. "Como fonte de pesquisa utilizamos o livro de Gaston Bachelard, "Terra e os Devaneios da Vontade", as obras de Cláudia Braga e os trabalhos feitos na Faculdade de Artes Plásticas da Unicamp", conta Déborah Furquim. Essa coreografia, como explica a coreógrafa, mostra a fragilidade e a resistência da argila, traçando um paralelo com o universo feminino.
"O corpo é usado para compreender esse processo e a dança mostra essa evolução, no início com movimentos lentos e minuciosos e depois é a vez dos movimentos vigorosos". Lívia Seixas apresenta o solo "Uva Passa", preparado a partir da improvisação cênica. "Criamos o espetáculo com base nas heroínas dos contos de fada, trazendo as imagens dos filmes para o corpo, criando um novo vocabulário," explica Lívia.
Essa técnica auxilia a chegar a um determinado estado, não caricato, que vai da leveza ao denso. Há uma brincadeira com os estereótipos femininos, utilizando os extremos, como por exemplo a Branca de Neve que fica à espera de seu príncipe encantado e a mulher Uva Passa, moderna e furiosa. Para encerrar "Há Temporal", um espetáculo em que Gaby Imparato e Ruth Rachou navegam em busca do tempo, deixando o pensamento e o corpo à deriva. O fio condutor dessa obra é a relação entre o tempo individual e o espaço. Serviço - "O Feminino na Dança". De quarta a sábado, às 21h30; domingo, às 20h30. R$ 5,00 (quarta e quinta) e R$ 8,00 (sexta a domingo). Centro Cultural São Paulo - Sala Paulo Emílio Salles Gomes. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 7/5


