Victoria Spivey nasceu em Houston, Texas, em 1906. Tinha sete irmãos e uma família de músicos, que até formou uma orquestra. Aos oito anos aprendera a tocar com o namorado da irmã, que se apresentava num bordel. Aos doze anos, acompanhava os filmes mudos num cinema de Houston e depois tocava e cantava com bandas de Jazz e blues. Aos 16 anos ela foi para Saint Louis atrás de um caçador de talentos da gravadora OKeh, Jesse Johnson, também dono de uma loja que vendia discos de blues. Jesse não estava, mas ela insistiu, sentou ao piano e começou a tocar ''Black Snake Blues'', juntando uma pequena multidão. Dois dias depois, Jesse a procura, assina um contrato com ela e em cinco dias, o disco ''Black Snake Blues'' era prensado, com a vendagem de 150 mil cópias no primeiro mês. O sucesso levou Victoria a Nova York, onde as gravações continuaram, ao lado de figuras como Louis Armstrong, Red Allen, King Oliver e Zutty Singleton.
Ela também estrelou um dos primeiros musicais negros de Hollywood, ''Hallelujah!'' , de King Vidor, em 1929. Enfrentou os anos de Depressão com canções de forte conteúdo social, tornou-se empresária, caçadora de talentos, dona de companhia, e depois de anos de estrada, resolveu se aposentar nos anos 50. Na década de 60 voltou a se apresentar no circuito folk de Nova York, onde conheceu Bob Dylan. Acabou gravando por iniciativa do então produtor John Hamnond, numa sessão com Bob Dylan, Lonnie Johnson e outros lendários da época.
A artista produziu cerca de 1,5 mil canções. Às vezes ela ficava sentada num carro na esquina da Rua Oito em Nova York, observando as cenas urbanas e compondo blues. Algumas de suas canções como ''Black Snake Blues'', foram escritas na hora, outras, com aquela sobre seu pai, capataz nas docas de Galveston, exigiram um ano de trabalho. Em 1962, ela fundou a sua própria gravadora e seguiu incansável nos anos 70, levando o blues ao rádio, a televisão e à Europa.
Victoria morreu em 1976, no Beekman Hospital, em Nova York, aos 70 anos, em paz com o mundo, ao qual legou uma bela obra. Faz parte de um ciclo de blueswoman que marcaram época e que hoje são muito pouco lembradas.

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