A SEMANA É DOS PARALAMAS
Simone Mattos
De Curitiba
A aguardada turnê do show Acústico MTV - Os Paralamas do Sucesso chega ao Paraná nesta semana. Os shows em Curitiba acontecem na quarta e quinta-feira, no grande auditório do Teatro Guaíra. A banda estará em Londrina na sexta, para única apresentação no Cinema Café.
A turnê apresenta o 13º disco da carreira do trio, onde, em 21 faixas, aparecem várias regravações (como Manguetown, de Chico Science) e canções inéditas (como Sincero Breu, de Herbert Vianna em parceria com Pedro Luís).
A seleção das músicas foi feita durante dois anos, em vários shows, inseridos em apresentações da banda, onde o gosto e a receptividade do público puderam ser testados. O repertório que acabou sendo selecionado não é óbvio e nem comercial.
A diferença entre as apresentações em Curitiba e Londrina será a participação do ex-Legião Urbana Dado Villa Lobos, que confirmou presença apenas para os shows na capital. Infelizmente, ele não pode nos acompanhar em toda a turnê, pois tem outros compromissos, afirma o baterista João Barone. Foi ele quem deu entrevista exclusiva à Folha 2.
Qual é a diferença entre o show Acústico e os outros shows dos Paralamas?
A diferença é considerável, principalmente na área das guitarras. O repertório é distinto, a sonoridade é distinta e a diferença musical é intrínseca. Neste trabalho conseguimos manipular coisas essenciais, como o caráter rítmico.
Como foi o processo de seleção das canções?
Procuramos fugir das músicas mais conhecidas, pois o Acústico não é uma coletânea dos grandes hits dos Paralamas. Nós escolhemos as músicas que melhor se prestavam para este formato, com o objetivo de jogar um pouco de luz em partes da nossa discografia que tinham passado de forma despercebida. É claro que músicas conhecidas, como Loirinha Bombril e Caleidoscópio também acabaram entrando, mas elas não são o enfoque especial do Acústico. Nós selecionamos as músicas de maneira sutil, tentando evitar o óbvio ou o chover no molhado. Isso acabou transformando o trabalho numa espécie de disco de carreira da banda.
Esse repertório foi testado antes da concepção final do Acústico?
Sim. A coluna dorsal do show foi mesmo colocada sob teste. Precisávamos da reação do público para saber como aquilo estava funcionando no palco. Neste processo, o público entrou de maneira muito sutil, pois durante dois anos fizemos apresentações-surpresa de trechos do Acústico, onde pudemos perceber a harmonia do palco. Foi aí que conseguimos ir mexendo no show e aumentando o repertório, que deverá crescer ainda mais. O disco tem 70 minutos e o show cerca de 1h30, dependendo dos bis.
O público dos Paralamas está acostumado a assistir a shows menos formais e com ingressos mais acessíveis que o Acústico. Não existe uma preocupação de vocês sobre isto?
Este é um show mais requintado e precisamos ser condizentes com a cenografia e com toda a atmosfera do projeto, que exige espaços diferenciados para a apresentação, daí os preços mais caros dos ingresos. O projeto é distinto e está funcionando como uma experiência. Sabemos que apenas uma parcela do público poderá ver o show agora, mas tentaremos mais tarde manter a mesma atmosfera requintada com ingressos mais acessíveis.
Como foi a parceria com o Dado Villa Lobos?
Ele é um convidado mais do que especial, com quem temos uma relação muito próxima. Infelizmente, ele não pode estar conosco em todos os shows, pois tem outros compromissos. Quando está, ele cumpre muito bem a missão e, quando não aparece, sentimos muito a sua falta.
Em 16 anos de carreira vocês resistiram a vários modismos musicais que aconteceram no Brasil. Como a banda sobreviveu sem se alterar?
Nós fazemos o que gostamos, que é tocar, e estamos sempre buscando coisas que nos instigam neste processo. Antes de qualquer coisa somos uma turma e a nossa amizade vem antes de qualquer condição econômica ou planos para a banda. Nos inspiramos mutuamente e remamos na mesma direção. A banda poderia ter se desagregado com o tempo, mas nos mantivemos unidos. A nossa mola mestra é mesmo o fato de que gostamos de tocar, somos uma banda de palco, de estrada. O resto é consequência.
Como você vê a atual situação cultural do País?
O Brasil é muito amplo e o filtro por onde passam os modismos é muito estreito. Temos sempre o ritmo do momento, a indústria fonográfica do momento. Se o momento econômico é bom, o povão consome mais cultura de entretenimento, o que acaba ocupando espaços da verdadeira música. Isto é meio cruel, é como se fosse uma máquina de moer gente. Felizmente conseguimos passar incólume por isso tudo. Acho que a grande magia dos Paralamas é termos um vínculo verdadeiro com a nossa tribo.
Quais são os próximos projetos para a banda?
O projeto Acústico ainda está em ascendência e a nossa agenda está lotada até o final do ano. Começaremos a pensar num novo disco no início do ano que vem, mas antes queremos tocar descompromissadamente, o que nos faltado tempo para fazer.
O show Os Paralamas do Sucesso - Acústico MTV, acontece em Curitiba na quarta e quinta-feira, às 21 horas, no Guairão. O preço dos ingressos é R$ 40,00 (platéia), R$ 30,00 (1º balcão) e R$ 20,00 (2ª balcão). Em Londrina, o show será na sexta-feira, a partir das 22 horas, no Cinema Café, com ingressos a R$ 15,00.





