A SEGUNDA VEZ NÃO É MELHOR
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de dezembro de 2001
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br>De Londrina - Especial para a Folha 2 
Em geral desastrosa, a sequela hollywoodiana nasce como produto serializado, igual a qualquer linha de montagem industrial, como biscoito, detergente ou papel higiênico. E como biscoito, detergente ou papel higiênico não têm pretensões artísticas, as sequelas também não. Estão aí para o consumo e só, devendo apenas faturar tanto ou até mais dinheiro do que o produto inicial que a gerou. Por isso, parafraseando (e contrariando) o título brasileiro de ''American Pie 2'', a segunda vez quase sempre não é melhor. O filme, em lançamento nacional a partir de hoje (veja a programação de cinema na página 5), repete a mesma fórmula do primeiro ''American Pie'', realizado em 1999. E como tudo o que é repetido sem imaginação é cópia cansada, aqui o resultado não é diferente.
Os mesmos Jim, Chris, Oz, Steve e Kevin já não mais adolescentes mas calouros universitários bem crescidinhos, estão agora preocupados com a ''segunda vez'', ou em outras palavras, o que fazer para ter uma vida sexual ativa. Como o tempo de colégio passou, nada mais resta se não alugar uma maravilhosa casa em local privilegiado para umas férias inesquecíveis um atraente balneário em Michigan. Em meio a toda uma série de equívocos e confusões previsíveis, boa parte de gosto duvidoso, o velho grupo de amigos tem que lidar com as garotas, o amor, a amizade e o sexo.
Depois do sucesso mundial do primeiro ''American Pie'', realizado com poucos recursos e logo na lista dos 100 milhões de bilheteria, este segundo episódio se apresenta como um penoso bis com poucas idéias. Se o original conseguiu de fato registrar as reais sutilezas do universo adolescente em busca de sentido existencial para o ato de crescer, com o sexo na vanguarda e mesmo assim recorrendo à formula ''Porky's'', de tanto sucesso nos anos 80 , este ''Pie 2'' somente repete um bom número de situações, sem no entanto reeditar as principais virtudes anteriores: uma certa divertida urgência no aprendizado das coisas da vida, um frescor nas propostas a que Hollywood não está muito habituada, uma franqueza não exatamente grossa e uma interessante gama de personagens femininos muito bem escritos, coisa rara em temática via de regra machista e/ou sexista.
Assim, o diretor estreante James B. Rogers tentou mas não conseguiu, destilar a essência de ''American Pie''. Para isso, tome repetição em cima de repetição, previsão sobre previsão, e nada da anárquica originalidade que marcou a primeira história. ''American Pie 2'' tem, como consequência, tudo em comum com qualquer outra má comédia já realizada sobre jovens machos no cio.


