A SEGUNDA PELE DO ATOR
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de maio de 2000
Chiara Papali De Londrina Especial para Folha2 
Há milênios o ser humano se utiliza de máscaras para transmitir sentimentos e emoções em rituais indígenas, folclóricos, e no teatro, para citar alguns exemplos. Na cultura japonesa as máscaras são feitas milimetricamente iguais, de geração para geração. Quem informa é Venício Fonseca, ator e diretor do grupo teatral Moitará, do Rio de Janeiro, que está ministrando uma oficina de confecção e utilização de máscaras, dentro da programação do Filo.
A proposta do grupo, com 12 anos de experiência em confecção e utilização de máscaras, é abordar, durante a oficina, especificamente a máscara teatral. Num espetáculo a máscara não é apenas um objeto de adorno ou decoração, mas um personagem, com características que o ator tem que transmitir com o corpo e a voz. Ela deixa de ser objeto para se tornar sujeito, explica Fonseca.
Para confeccionar uma máscara teatral e utilizá-la existe toda uma metodologia. Não é apenas colocar a máscara no rosto, ela tem vida própria, conta Érika Rettl, atriz do Moitará, que também ministra o curso. Érika conta que uma boa máscara demora pelo menos 21 dias para ficar pronta.
O primeiro passo para a confecção é definir as características do personagem - seus sentimentos, personalidade, cultura, e até idade e peso. Além disso temos que considerar onde e como ela vai ser usada, em que condições de luz e de espaço, explica.
Depois disso, a síntese das características do personagem é passada para o papel, traduzida em desenho. Nesta parte do processo já estão definidos inclusive o formato e a profundidade do rosto, as linhas e marcas de expressão e a cor que vai ter a máscara, conta Fonseca. Venício, explica ainda, que existem vários tipos de máscaras - neutra, abstrata, larvária, expressiva, meia máscara, acento (que acentua o nariz e a testa) e o nariz de clown.
O ideal, explica Fonseca, é que a máscara seja feita para o ator que vai trabalhar com ela. Um negativo em gesso é feito sobre o rosto do ator e dessa maneira a máscara fica mais confortável, pois são definidos os pontos de apoio e onde é preciso colocar espuma. O próximo passo é esculpir na argila o que foi definido no desenho. Um outro negativo é feito a partir da escultura e aí então começa o processo de colagem com papel e tela. O arremate é feito com a pintura da peça. Outra técnica utilizada pelo grupo é a máscara produzida em couro. A diferença é que a escultura é feita em madeira.
A oficina de confecção de máscaras começou na última terça-feira e prossegue até o dia 19 de maio, com a participação de 10 profissionais de teatro, de artes plásticas e de educação. Fonseca explica que cada participante está criando seu personagem. Durante a oficina, os alunos também assistem ao vídeo documentário Breve história da máscara e método de Sartore, produzido pelo grupo Moitará, que mostra o uso da máscara, em diversas culturas, desde o paleolítico superior (7.000 a.C.) até os nossos dias. O resultado do projeto será uma exposição com as máscaras produzidas, além de outras 40 peças que o grupo trouxe à cidade. A data e o local da exposição ainda não foram definidos.
A oficina de utilização de máscaras acontece de 16 a 31 de maio, no Centro de Artes Plásticas do Igapó, também dirigida a profissionais de teatro. Ainda restam algumas vagas, e as inscrições podem ser feitas na Casa de Cultura da UEL. O valor da inscrição é R$ 50,00. O resultado desta oficina será uma intervenção teatral, em data e local que ainda serão definidos.
É a segunda vez que o grupo de teatro Moitará vem a Londrina - na última edição do festival apresentaram o espetáculo Máscara em Cena. Desta vez, além de ministrarem a oficina, também apresentam o espetáculo Rifinfim do Medelim, nos dias 20 e 21 de maio, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo. Ingressos a R$ 10,00 e R$ 5,00, para estudantes, funcionários da UEL e pessoas da terceira idade.


