A saudosa gastronomia da roça
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Fábio Luporini / Especial para Folha 2 
A gastronomia contemporânea evoluiu muito ao longo dos anos e se transformou numa verdadeira arte! Desconstrução de receitas, cozinha molecular, mistura de ingredientes e invenções das mais diversas, variadas e inusitadas: são tantas as possibilidades que, certamente, será impossível degustar e experimentar tudo. Entretanto, há algo que não sai de moda: aqueles pratos feitos e preparados na roça, pelos nossos avós e aquelas receitas escritas nos antigos livros de famílias.
A última edição do Multi Chef, exibida na terça-feira passada, apresentou uma galinhada da roça, numa versão urbana só porque é feita na cidade. E trouxe à lembrança os tantos quitutes e delícias que ficam na nossa memória afetiva e degustativa. A galinha, aliás, ao lado do porco, está entre os principais ingredientes usados por quem morava no sítio antigamente e presente nos saudosos pratos de hoje em dia.

Que me perdoem algumas delícias que eu, porventura, tenha esquecido, mas, aqui vão alguns que estão frescos na memória: leitão à pururuca (hum, que delícia!), feijoada, cuscuz caipira, arroz carreteiro, feijão tropeiro, bolo de fubá, vaca atolada, farofa de linguiça, bolinho de mandioca, rosquinha de pinga, pamonha, milho cozido (ou assado), canjica, cocada, pé de moleque, arroz doce (esse, particularmente, não me apetece tanto), pinhão (para nós, aqui do Sul), curau e tantos outros que vamos nos lembrando.
Todas essas iguarias deliciosas feitas num fogão a lenha ou com a fartura do sítio estão sendo adaptadas para a realidade cotidiana da cidade. Todavia, nunca sairão de moda ou deixarão de ocupar um lugar especial na nossa gastronomia. Mesmo assim, nossos jovens precisam ter mais contato com esse tipo de gostosura. Eles só conhecem os modismos de hambúrgueres, sanduíches, rodízios japonês, entre outros. Que são muito gostosos, aliás. Mas, de longe, resumem tudo o que é possível inventar e (re)inventar na cozinha brasileira de antigamente.
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Vale registrar aqui a iniciativa da confraria Amigos do Vinho, que há mais de dez anos se reúne mensalmente no Restaurante Brasiliano para compartilhar histórias e degustar rótulos diferentes, cada vez harmonizados com um prato preparado pelo chef Marcelo Camargo. Desta vez, entretanto, no fim de março, parte do grupo se reuniu virtualmente, por conta da quarentena compulsória. Foi uma experiência diferente, uma alternativa nesses tempos difíceis que estamos vivendo. Parabéns a todos pela inciativa. E você, o que anda fazendo de diferente nessa quarentena?


