Diagnosticada já na vida adulta com TDAH, educadora Gladys Mariotto, de Curitiba, voltou a estudar e criou seu próprio método para reter os conteúdos
Diagnosticada já na vida adulta com TDAH, educadora Gladys Mariotto, de Curitiba, voltou a estudar e criou seu próprio método para reter os conteúdos | Foto: Fotos: Divulgação


Desde que o YouTube popularizou-se como plataforma de vídeo, surgiram várias profissões oriundas desse universo tecnológico. Dentre eles, as blogueiras com seus tutorais de moda e beleza, os youtubers de diversas naturezas como games e desafios, o pessoal fitness com séries de exercícios e dicas de alimentação, além de milhares de pessoas querendo ganhar um minuto de fama. Muitos, inclusive, conseguem 'monetizar' e ganhar dinheiro com os anúncios feitos nos vídeos de seu canal. Como era de se esperar, não demorou muito e professores das mais variadas disciplinas começaram a produzir conteúdos para seus alunos. Cada qual com sua metodologia e recursos, geralmente, tentam atingir o público com conteúdo de maneira complementar à sala de aula.

Com proposta diferente da educação à distância, em que os vídeos fazem parte de uma plataforma fechada e paga, os edutubers, nome dado a esses professores da internet, surgem como uma possibilidade gratuita e de fácil acesso. Pensando em reunir materiais de qualidade em um mesmo ambiente, a Fundação Lemann, em parceria com a Google (detentora do YouTube), criou o YouTube EDU, uma espécie de selo que seleciona videoaulas dentro de vários critérios. "Em 2014, uma curadoria formada por professores de todas as áreas realizou uma seleção de vários canais já existentes e os reuniu na plataforma. A ideia é facilitar o acesso a conteúdos de alta qualidade aos alunos, considerando que no YouTube há um grande número de videoaulas e era difícil identificar quais eram confiáveis ou não", diz Leonardo Correia, coordenador de projetos da fundação.

Com o lema "Todas as formas de ensinar. Seu jeito de aprender", em pouco mais de três anos já são mais de 230 canais participantes do Brasil inteiro que totalizam 34 mil videoaulas e simulados que recebem um ícone na imagem. "Percebemos que os professores, cada vez mais, têm se engajado em abordar de maneira diferente da sala de aula. Para isso, usam recursos variados, formas inovadoras e uma linguagem mais fácil. Alguns até fogem um pouco da forma tradicional e usam o entretenimento. O que o canal busca, em todos os casos, é a qualidade do conteúdo do vídeo, com temas relevantes que passam a informação de acordo com os conceitos daquela disciplina", explica, complementando que, portanto, não há padrão de formato, cada professor fica livre para o uso de elementos interativos, exercícios de fixação ou experimentos permitindo a identificação de quem assiste.

"Procuro programar minha aula como faria em sala, enfatizando pontos críticos das resoluções", diz José Marmontel, professor de Matemática, de Campo Mourão
"Procuro programar minha aula como faria em sala, enfatizando pontos críticos das resoluções", diz José Marmontel, professor de Matemática, de Campo Mourão



Paranaenses selecionados
José Marmontel, professor de Matemática de Campo Mourão, começou a produzir vídeos para o YouTube há seis anos e hoje integra o time de canais do YouTube EDU que leva seu nome. Disciplina não muito popular entre os alunos, que geralmente a consideram difícil, em seus vídeos, o professor trabalha com algum exercício abrangente sobre um tema interessante.

"Procuro programar minha aula como faria em sala de aula, enfatizando pontos críticos das resoluções, aqueles que a maioria costuma errar. E assim vou montando minha aula, que hoje é feita em Power Point. Não é um método tão "charmoso" como uma elegante lousa iluminada, mas é bastante prático." Dessa forma, tenta montar uma aula que fique bem legível, principalmente em telas pequenas como as de celular. "Essa é a mídia mais utilizada pelos alunos. Alguns assistem às aulas no trajeto para a escola."

Para ele, o caminho digital é certo e cada vez mais se integrará com o presencial, maximizando as vantagens de cada modalidade. "Hoje, já costumo sugerir aos alunos que busquem complementos na mídia digital, que vejam vídeos, baixem provas do Enem ou vestibulares anteriores das faculdades que querem ingressar, usem aplicativos interessantes em seus celulares e até mesmo aprendam outras línguas. Porém, quero acreditar que logo a internet venha a ser o meio primário, em que as pessoas vão captar informações por via digital, mas ainda vão se encontrar presencialmente para trabalhar essas informações." Entre as diferenças e vantagens, ele destaca que na aula tradicional o professor pode responder perguntas, resolvendo dúvidas na hora em que acontecem, acompanhando os alunos na resolução dos exercícios. "Por sua vez, na aula por internet, o aluno não pode interromper, mas pode voltar o vídeo para ver novamente alguma parte que não foi bem entendida."

Visualidade

Diagnosticada já na vida adulta com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a educadora Gladys Mariotto, de Curitiba, voltou a estudar e criou seu próprio método para reter os conteúdos. "No começo eu tinha muita dificuldade para assimilar os conteúdos e percebia que tudo o que eu tinha lido num dia, já tinha esquecido no outro." A metodologia foi colocada em um livro de uma instituição, se consolidando com o nome "Já Entendi". "Foi quando surgiu a ideia de aplicar a metodologia no ensino médio. Fazíamos primeiramente videoaulas com foco no Enem, e posteriormente para os cursos de treinamento profissional para a base da pirâmide", diz, sobre a startup de inteligência educacional que, hoje, utiliza metodologia de aceleração de aprendizado por meio de diversas plataformas, como videoaulas, jogos educacionais, aplicativos para tablets e smartphones.

A principal diferença dos vídeos do canal são os recursos audiovisuais que fogem a uma aula simplesmente expositiva. "Na videoaula, temos recursos como imagens, animações, mapas mentais, entre outros, que tornam o aprendizado mais dinâmico e menos cansativo. Além disso, na plataforma existe a possibilidade de utilizar a 'gamificação' para a avaliação dos conteúdos. E isso significa utilizar um conjunto de técnicas de design baseadas em jogos virtuais para orientar o aprendizado de forma lúdica e dinâmica."

Os cursos são desenvolvidos seguindo alguns princípios como a Andragogia, a Heutagogia, a Neurolinguística, o design instrucional e outros. "Sempre pensamos naquilo que é visual, ou seja, que é possível traduzir em imagens. E isso significa escrever um conteúdo com palavras descomplicadas. É como pegar um texto técnico e traduzir."

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