A saga dos Panara em livro
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
Tote Nunes Agência Estado 
Os Panara - ou Kranhacarore, os Índios Gigantes - estão de volta de um exílio de mais duas décadas. Primeira e talvez a mais emblemática vítima do surto desenvolvimentista do governo militar, os Panara foram expulsos da terra e quase dizimados no início dos anos 70. Vivendo na divisa entre o Mato Grosso e o Pará, eles estavam na rota de construção da rodovia Cuiabá-Santarém.
Ao primeiro contato com o branco, em 73, muitos morreram vítimas de gripe e diarréia. Abandonados, os sobreviventes adoeceram e, miseráveis, perambularam a beira da estrada recém-aberta, vivendo de esmolas de viajantes e garimpeiros. Resgatados pela Funai e pelos irmãos Villas-Boas em 75, foram transferidos para o Parque do Xingu, onde passaram os últimos 20 anos. No final do ano passado, conseguiram a terra de volta em uma decisão inédita da Justiça. Serão indenizados pela União depois de terem ganho uma ação para reparação de danos.
Os Panara ficaram célebres no começo dos anos 70 por terem protagonizado aquele que é considerado o mais bem documentado primeiro contato já realizado no País. Descendentes dos Caiapós do Sul - uma tribo nômade, formada por caçadores e guerreiros e que acabou exterminada com o início do ciclo do ouro em Minas - os Panara eram cercados de mistério. Primeiro, pela mística da altura incomum - há relatos de que muitos deles tinham mais de dois metros de altura - e, depois, pelo caráter belicista que sempre marcou a história dos seus ancestrais.
A saga dos Panara - que parece roteiro de Hollywood, com direito a final feliz e tudo - está contada no livro Panara. A volta dos Índios Gigantes, escrito pelos jornalistas Ricardo Arnt, os irmãos Lúcio Flávio Pinto e Raimundo Pinto e ilustrado por um ensaio fotográfico de Pedro Martinelli. O material foi editado pelo Instituto Socioambiental e lançado no último dia 6, no Sesc Pompéia, em São Paulo, como parte de um evento mais amplo, que incluiu exibição de um vídeo, uma mesa-redonda com a presença de antropólogos e indigenistas e dos próprios Panara.


