A saga de um abolicionista
Da Redação
Um dos mais importantes abolicionistas do País, o pernambucano Joaquim Nabuco, morreu há 90 anos. Conhecido por defender idéias liberais, levou a campanha pela causa anti-escravagista para as ruas, à imprensa e até ao Vaticano, conseguindo apoio do papa Leão XIII. Foi deputado, diplomata, orador, ensaísta, historiador, jornalista literário, conferencista recebeu o título de honoris causa pela Universidade de Colúmbia.
Entre suas obras estão: O Abolicionismo, escrita na sua juventude, e que mostra uma síntese do pensamento de Nabuco. Também publicou a autobiografia Minha Formação. Porém, a maior obra da historiografia brasileira foi escrita por Nabuco quatro anos depois da proclamação da República: Um Estadista do Império, biografia de seu pai, o político e jurista José Tomás Nabuco de Araújo (1813- 1878).
Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu em 19 de agosto de 1849 em Recife (PE), era também conhecido como Quincas, o Belo. Filho do senador José Tomás Nabuco de Araújo e Ana Benigna de Sá Barreto, viveu com os padrinhos até os oito anos, época em que teve contato direto com a escravidão.
Formou-se pela Faculdade de Direito do Recife, onde ingressou no Partido Liberal, o qual pertencera a seu pai. Em dez anos (1878-1888), cumpriu três mandatos parlamentares, tempo em que escandalizava a sociedade pregando o fim da escravidão, o direito ao voto aos analfabetos, as eleições diretas, ou encampando a proposta de reforma agrária defendida por seu amigo André Rebouças, um engenheiro negro e militante abolicionista.
Nesse período, Nabuco fundou a Sociedade Brasileira contra a Escravidão e chegou a propor, em 1880, a extinção dos títulos de nobreza, tentando convencer Dom Pedro II a introduzir as reformas federalistas, que poderiam ter sido a tábua de salvação do Império.
Durante esse período, Nabuco escreveu outro marco da história brasileira O Abolicionismo, obra impressa por ele mesmo em Londres em 1883, que ficou inédita no Brasil até 1988, quando foi publicada pela Fundação Joaquim Nabuco. Uma das grandes personalidades históricas do Império, dedicou mais de 40 anos de sua vida à agitação política e à diplomacia. Fundou com Machado de Assis a Academia Brasileira de Letras, onde exercia o cargo de secretário. Também foi sócio na fundação do Jornal do Brasil, em abril de 1891. Decepcionado com as promessas da República, proclamada em 1889, onde vinha atuando duas forças retrógradas no Brasil: o militarismo e o clericalismo.
Durante dez anos Nabuco rejeitou os convites para colaborar com o novo regime, continuando monarquista por convicção. Só cedeu aos apelos republicanos por amor a pátria. Foi embaixador em Washington (EUA), em 1905. Morreu na capital americana em 1910, aos 61 anos de idade, deixando além de outras obras importantes, Camões e Lusíadas, escrita em 1872. O ano passado, em reconhecimento à importância histórica do político, foi instituído pelo presidente da República como o ano Joaquim Nabuco, quando foi lançado um concurso nacional de ensaios sobre o pensador brasileiro.





