A saga de Clarice
Era uma vez uma garotinha que morava em Ibiporã e se chamava Clarice. Curiosamente, a menina amava passar horas e horas em meio aos livros, coisa rara para sua idade, já que o Estado desejava justamente que ela os odiasse, uma vez ele tenta impedir que Clarice consiga chegar aos ''abridores-de-mente'', pois a biblioteca de sua cidade está interditada há algum tempo. Sim, aquela mesma que fora construída e entregue no final do ano passado. Prédio novo, estrutura nova... Algo parecido com a música da dona aranha: ''veio a chuva forte e a derrubou''...
Mas, ao contrário da música, o sol saiu e a dona aranha não voltou a subir. Pelo contrário, tudo continua com a vagareza com que os bens públicos são tratados, sempre deixados em último lugar na lista de prioridades. Mas vamos recapitular, o início da obra fora a notícia que mais a alegrou naquele ano, porém, sua felicidade foi diminuindo à medida que a obra demorava a ser entregue por haver certa discordância dos engenheiros quanto à ventilação do ambiente.
Clarice ficou com medo das chuvas que atingiram sua cidade, pois ela vive em uma casa de madeira antiga da qual nenhum engenheiro nem perto jamais passou, logo, sua casa sofreu alguns danos. Mas ela não entendia o porquê de um lugar pensado por, no mínimo, dois engenheiros, fosse capaz de ser interditado em tão pouco tempo.
A pobre menina não sabe o que fará em suas férias, pois seus planos de passar as tardes lendo estão suspensos sem prazo para serem concretizados. Clarice, em sua ingenuidade, viu como última saída escrever uma cartinha para o prefeito, onde diz: ''Querido senhor prefeito, eu estudei o ano todo, tirei boas notas e agora mereço minhas férias, não sei o que o senhor fará nas suas, mas eu só queria ler...''
Cális Lápide é professora em Ibiporã





