Tentar, elas vêm tentando há um bocado de tempo. Mas emplacar, fora de Porto Alegre e adjacências, está tão difícil para as bandas gaúchas surgidas ao longo da década de 90 quanto o Inter e o Grêmio chegarem às finais do Campeonato Brasileiro de futebol.
Três delas acabam de lançar seus segundos álbuns, desta vez através de uma parceria entre o selo regional Antídoto e a gravadora Abril Music, que resolveu apostar tudo em bandas de rock e pop depois de faturar com o estouro dos Los Hermanos.
O pacote inaugural traz os CDs ‘‘Movido a Gás’’ do Maria do Relento, ‘‘Sangue, Ouro & Pólvora’’ do Tequila Baby’’ e ‘‘Acústicos & Valvulados’’ da banda de mesmo nome. Nenhuma delas escalou as paradas do eixo Rio–SP, mas lotam casas noturnas no Rio Grande do Sul e têm até hits nas rádios locais.
Maria do Relento, por exemplo, trilha o caminho do humor escrachado incursionando por estilos distintos em cada faixa. Há desde a fuleiragem country de ‘‘Hey Terence Hill’’ até as guitarras distorcidas do manifesto antiescolar ‘‘Colégio Não’’, passando pelos timbres eletrônicos de ‘‘Fevereiro’’ e o ska ‘‘Meio Devagar’’ (‘‘Comprei um vinil do James Taylor / E loquei o Lagoa Azul / O clima já estava preparado / Mas como sempre ela não apareceu’’...).
O grupo lançou o álbum de estréia em 1995 pelo extinto selo Banguela, criado pelos Titãs com o objetivo de revelar novas bandas. O disco foi um fiasco. Não vendeu, não tocou e até se supunha que o fracasso poderia levar os integrantes a mudar de profissão. Os irmãos Pepe Joe, Nino Lee e Kako Kanídia (núcleo da banda), no entanto, persistiram e querem outros públicos fora do Estado.
O novo trabalho foi produzido por Edu K (vocalista do DeFalla) e Theddy Corrêa (do grupo Nenhum de Nós). Inclui participação de Rodolfo, dos Raimundos, e regravações dos Mutantes (‘‘Virgínia’’), Os Incríveis (‘‘O Vagabundo’’) e Diego Medina (‘‘Epiléptico’’). Traz ainda a faixa ao vivo ‘‘É Fácil dizer Adeus’’.
A Acústicos & Valvulados, por sua vez, apareceu como seguidora do rockabilly. Os componentes teriam decidido montar a banda depois de assistir a um show dos Stray Cats, expoentes da vertente. De rockabilly, contudo, não há quase nada no novo trabalho. ‘‘Quem me Dera’’ abre o disco em clima de folk-pop, seguindo-se ‘‘Bubblegum’’ – cujo título já entrega o estilo – e a balada acústica ‘‘Em pouco Tempo’’.
Esta última revela-se uma verdadeira mina de ouro para eventuais caçadores de hits. Com melodia pegajosa e letra romântica, poderia até suceder a ‘‘Anna Júlia’’ nas paradas monopolizando o dial ao longo desta estação. A canção escolhida para promover o álbum, contudo, foi ‘‘Até a Hora de Parar’’, já bastante executada em rádios do Sul.
Sem o mesmo apelo radiofônico, o quarteto Tequila Baby reaparece sem alterar uma vírgula de seu discurso sonoro. Reitera o punk rock ao imitar os Ramones em ‘‘Voltas na sua Cama’’ e castiga o hardcore melódico nas demais faixas. Um ou outro verso solto entre as letras (‘‘Eu não sabia que um dia é muito sem você / Está chovendo corações pela cidade’’) tentam estimular uma audição mais atenta do disco, mas os vocais maltratados de Duda Calvin convidam à desistência.
De qualquer maneira, as bandas do sul não são nulidades desprezíveis, embora tampouco constituam preciosidades desprezadas.

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