'A Saga - da Terra Vermelha brotou o Sangue'
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Especial 
Heróis e vilões sobrevivem à saga: a produção da primeira minissérie paranaense que, depois de 10 anos, finalmente, poderá ser exibida até o início do ano. O diretor e roteirista Manaoos Aristides negocia a exibição com canais de TV - último episódio dessa odisseia.
Quase tão lendário quanto sobreviver à força e ao poder da natureza na colonização do Oeste do Paraná, argumento principal do roteiro, conseguir chegar no último capítulo da história da realização da minissérie também revela a bravura da produção independente paranaense fora do eixo cultural Rio/São Paulo.
''A Saga - da Terra Vermelha Brotou o Sangue'' começou a ser produzida em 1999. Aristides conta que chegou a vender a casa e o carro para concretizar o projeto, que agora precisa chegar às telinhas.
O Canal Brasil é um dos interessados. Dependendo da grade de programação, a minissérie poderá ser exibida em 16 ou até 20 capítulos.
Para os padrões de produção da televisão brasileira - a Globo investiu, por exemplo, R$ 900 mil reais por capítulo na minissérie ''Amazônia'' - o orçamento de R$ 2 milhões de ''A Saga'' pode ser considerado modesto. No entanto, mais de 4 mil pessoas participaram, entre atores, figurantes e equipe técnica.
Para concluir o trabalho, Aristides conta que só faltava incluir cenas de uma maria fumaça, numa sequência rodada em Antonina. O trem foi encontrado em União da Vitória.
''Para realizarmos a minissérie não tivemos dinheiro nenhum, mas apoio de 17 cidades, onde oferecíamos oficinas de atores para os moradores. Chegamos a construir três cidades cenográficas. Uma delas em Cascavel, com 26 casas'', conta Aristides.
O longo período percorrido pela saga, que vai de 1541 a 1954, e o atraso da produção deram tempo para que atores interpretassem o mesmo personagem em diferentes fases da vida.
Daniel Petroscki estreou nos sets aos 11 anos, como um adolescente que viu os pais serem assassinados, empreendendo uma fuga de seis meses de Ponta Grossa a Foz do Iguaçu na companhia de um padre. Mais tarde, o personagem reaparece aos 19 anos de idade, transformado num pistoleiro.
A disputa pela terra é o conflito que separa o casal de protagonistas interpretado pelos atores João Vitti e Gabriela Alves.
Paralelo ao par romântico, a história da colonização vai abrindo picada na mata através de Alvar Cabeza de Vaca (Roberto Bomtempo), explorador espanhol, que chega ao litoral paranaense em 1541 e atravessa os Campos Gerais em direção a Assunção, no Paraguai.
''Uma saga feita com 250 homens e quase 100 cavalos. Foi Cabeza de Vaca quem descobriu as Cataratas do Iguaçu, que algumas pesquisas apontam que seriam os saltos desaparecidos das Sete Quedas, em Guaíra'', diz Aristides.
Carlos Prestes e Santos Dumont também são personagens históricos da minissérie. Este último teria vindo da Argentina, fazendo o único caminho para chegar a Foz, que era através de Buenos Aires.
''Em 1965 conheci Cascavel, uma região que era um lamaçal. Em 1979 fui visitar um amigo nque morava lá e achei tudo muito diferente. Pensei que alguém poderia contar essa história. Voltei em 84 e comecei a fazer os primeiros contatos. Esse é um projeto muito maior que os 10 anos de produção'', avalia Aristides, ele próprio o representante de uma outra saga, a dos independentes.


