O rap nacional vai bem, obrigado. E graças a um rapaz de 24 anos que conseguiu ligar as duas pontas do gênero - a credibilidade das ruas e o sotaque pop que fez a fama de figuras como Marcelo D2 e Gabriel, o Pensador. Com apenas um trabalho lançado, e sem qualquer apoio de gravadora, Emicida se tornou a grande revelação do gênero no Brasil. Seu trunfo é um arsenal de referências que vai do samba ao repente nordestino, passando por uma infinidade de citações literárias e da cultura pop. Quem mais, por aqui, citaria Sun Tzu, Stanley Kubrick, Hellboy e Donald Trump num mesmo disco de hip-hop?
Com um show marcado para amanhã em Curitiba, no John Bull Music Hall, ele conversou com a reportagem da FOLHA sobre sua trajetória ascendente. ''Sou um improvisador'', diz Emicida, que começou a ser notado nas batalhas de MCs promovidas no eixo Rio-São Paulo. Foi justamente numa dessas competições, em que os rappers se desafiam por meio de rimas, que surgiu o apelido. Consagrado depois de tantas vitórias, o ''homicida de MCs'' reuniu todo seu material e começou a produzir, com calma, as faixas do primeiro disco.
Disco, não. Mixtape, como ele prefere definir seu primeiro lançamento, a compilação mixada ''Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que Eu Cheguei Longe'' (2009). ''Minha carreira vem sendo construída há anos, com passos pequenos. E uma mixtape é uma parada momentânea, para que eu esteja mais próximo do público. Na minha cabeça, um álbum é algo muito maior'', explica.
Seja como for, ''Pra Quem Já Mordeu...'' entrou em várias listas de ''melhores álbuns'' do ano passado, o que aumentou a expectativa dos fãs e da crítica quanto à estreia oficial. Há, inclusive, quem preveja um som ainda mais influenciado pelo samba. ''Cresci ouvindo Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Lecy Brandão, Cartola... É impossível que isso não se reflita no meu som. Amo o rap, mas a música mais louca, para mim, é o samba'', diz o rimador.
Sobre a divisão que se faz no Brasil entre hip-hop ''comercial'' e ''alternativo'', ele afirma que tudo não passa de preconceito. ''Odeio divisões. É tudo rap, batida, rima. Mas as pessoas adoram separar as coisas, dizendo que um presta e o outro, não. Às vezes, penso que as pessoas precisam disso para se esconder e não resolver os verdadeiros problemas''.
Para o show de amanhã, Emicida promete levar ao palco vários MCs e DJs de Curitiba. Gente como Nave, Nel Sentimentum, Karol Conká e Bigue. ''Quem ainda não ouviu falar dessa rapaziada vai gostar de conhecer. O negócio é chegar no baile e gritar 'A rua é nóiz!' com todo mundo'', diz, citando o refrão de uma de suas letras.
SERVIÇO
- Show com Emicida
QUANDO - Amanhã, 23h
ONDE - John Bull Music Hall (R. Engenheiros Rebouças, 1.645)
QUANTO - R$ 15 (antecipado) e R$ 20 (na hora)
MAIS INFORMAÇÕES - (41) 3026-5050

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