"Hamlet" com a Armazém Cia de Teatro (Rio de Janeiro/RJ) abriu o o FILO 2017 trazendo a atriz Patricia Selonk na figura do protagonista e um pouco do legado de Shakespeare. Para isso, o diretor Paulo de Moraes optou pela construção de um Hamlet cheio de fúria fazendo uma conexão direta com a loucura que permeia nosso tempo, calcado no texto contemporâneo traduzido por Maurício Arruda Mendonça. Agora, outras duas obras do poeta e dramaturgo inglês encerram a temporada de teatro na cidade: "Shakespeare, William" com Juliano Antunes Produções (Niterói/ RJ), sábado (26), às 20h30, no Colégio Marcelino Champagnat, e "Romeo y Julieta de Aramburo" com Kiknteatr (Bolívia), sábado (26) e domingo (27), às 21h, no Palco Petrobras. Cada companhia, à sua maneira, aborda o texto com uma linguagem distinta e própria.

Ao contrário de muitas companhias que optam por utilizar traduções difíceis, a diretora do grupo carioca, Eleusa Mancini, preferiu contextualizar as histórias narradas aproximando as pessoas com o chamado teatro itinerante. "Shakespeare causa envolvimento no público em todos os gêneros que escreveu porque fala sobre gente, com personagens estupendos, tramas que se alinham e conflitos humanos que se cruzam. Shakespeare é a soma de todos os seus personagens". Antes de começar, o público pode escolher dentre dois caminhos para percorrer a vida e trechos das principais obras do dramaturgo. "As cenas são adaptadas – ao tempo e espaço físico – e apropriadas à identidade do grupo".

Diego Aramburo, diretor da companhia boliviana, diz que a linguagem de Shakespeare continua interessante pelo fato de contar histórias, mas com foco principal na linguagem, que faz parte da universalidade e permanência desses textos. "Pode-se dizer que o "elisabetano" poderia fazer o inglês de Shakespeare se sentir arcaico, mas, pelo contrário, não depende de épocas, gírias ou modernidades. O mesmo acontece com as traduções que não se apegam aos arcaísmos e conseguem um verso e um uso de linguagem cuidadosa e universal, culta, mas não antiga; refinada, porém não elitista". O amor de Romeu e Julieta de Aramburo coloca em questão amor nos dias de hoje. "O amor é atualmente mais cético. Eu diria que é mesmo cínico. De qualquer forma, ainda existe".

O DRAMATURGO
Shakespeare, certamente, é um dos dramaturgos com textos mais executados no teatro em todo o mundo. No ano passado, em lembrança aos 400 anos de sua morte (1564-1616), vários espetáculos foram montados em diferentes países. Oficialmente, escreveu 39 peças divididas entre comédias, tragédias, dramas e peças históricas, nas quais teve o dom de captar sentimentos dos mais puros ao deturpados e personificá-los nos traços de seus personagens.

Dentre as cenas mais conhecidas e interpretadas estão a ambição e remorso em "Macbeth", o amor e frustração em "Romeu e Julieta", e o ciúme exacerbado em "Otelo". Ainda que tenha tido prestígio e reconhecimento em sua época, o patamar de maior destaque, entretanto, só aconteceu no século XIX, com a redescoberta de suas obras pelos vitorianos. E, apesar do vocabulário utilizado, criando, inclusive, palavras, quatro séculos depois, continua popular.

Imagem ilustrativa da imagem A rota de Shakespeare no FILO
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