Zilma Santos
De Portugal
Misturando história e lendas, rede hoteleira ocupa castelos, conventos, mosteiros, fortalezas e paços revelando regiões de Portugal com charme e estilo
É quase irresistível. Até mesmo quem não gosta de antiguidade acaba se rendendo ao charme de hospedar-se em edificações antigas impregnadas de séculos de história. Em alguns casos, as ruínas restauradas ganharam extensões modernas, mas mantiveram a aura misteriosa do passado. O cenário praticamente é o mesmo: paredes em pedra, cúpulas trabalhadas, saletas e salões, conversadeiras à beira das janelas e pátios amuralhados (onde as mocinhas do passado ficavam ‘azarando’ os cavalheiros), escadarias, jardins internos, antigos claustros e até catacumbas onde, juram alguns, ainda hoje vivem fantasmas seculares.
As pousadas de Portugal cobrem todo o país e permitem ao turista uma infinidade de roteiros. Um deles, por exemplo, vai de Lisboa ao Alentejo dando uma esticada até Coimbra, no Centro de Portugal. O caminho traçado passa por Queluz, Setúbal, Alcácer do Sal, Évora, Estremoz, Vila Viçosa, Marvão, Crato, Condeixa, Batalha e Palmela. Para desfrutar plenamente do passeio, o ideal é alugar um carro.
Queluz está a 13 quilômetros de Lisboa. Sua principal atração é o Palácio Nacional, construído na segunda metade do século 18 e que serviu de residência de verão para a família real portuguesa.
O palácio, no mesmo estilo de Versalhes – a fachada principal é voltada para os jardins – vira cenário de álbuns de casamento nos finais de semana. Fotógrafos guiam cortejos de noivos e padrinhos pelos jardins geometricamente traçados. Os mesmos jardins abrigam os espetáculos periódicos da Escola Portuguesa de Arte Equestre.
Transformado em museu, o palácio de fachada cor-de-rosa recebe cerca de 350 mil visitantes por ano. Na praça entre o Palácio e o restaurante Cozinha Velha, a estátua de D. Maria I dá as boas-vindas aos turistas.
O conjunto do Palácio Nacional é grandioso. São vários salões – os do Trono, da Música e dos Embaixadores. No Pavilhão Robillion estão os quartos privativos de vários reis e príncipes. No Palácio está também o quarto D. Quixote, onde nasceu e morreu D. Pedro I; os aposentos da infanta Maria Francisca (irmã de D. Maria I e princesa do Brasil), as salas de despacho (usada por D. João VI para reuniões ministeriais), das Merendas, de Jantar e do Lanternim, a capela e o quarto da rainha Carlota Joaquina.
A maior parte dos salões ainda hoje é usada em cerimônias de gala. Seja para recepções e banquetes oficiais da presidência da República ou do governo português; apresentações musicais que integram o Festival de Sintra realizado nos meses de junho e julho; ou jantares e recepções particulares.
Na área onde funcionavam as cozinhas reais funciona hoje o restaurante Cozinha Velha. O salão principal do restaurante ainda conserva a imensa mesa de pedra ao lado da não menos imensa chaminé, onde eram cortadas, salgadas e defumadas as carnes; e preparados os manjares dos nobres.
Em frente ao Palácio Nacional, no anexo conhecido como Torre do Relógio antigamente destinado à guarda real da corte, funciona a pousada histórica D. Maria I, uma das ilustres moradoras do Palácio de Queluz.
D. Maria é um dos maiores ícones históricos de Portugal. Nascida em 1734, foi a primeira mulher a reinar no país. Filha primogênita de D. José I casou-se com o tio, o infante D. Pedro, coroado mais tarde como D. Pedro III. Oito dias depois da coroação demitiu o Marquês de Pombal das funções de primeiro-ministro; libertou os presos políticos, reformulou o gabinete e democratizou a administração trazendo de volta as audiências reais onde atendia todo tipo de gente, duas vezes por semana.
O reinado de D. Maria foi marcado por um extraordinário desenvolvimento da marinha mercante e do ensino. Vários estabelecimentos de ensino foram fundados e criou-se o Observatório da Marinha e a Real Biblioteca Pública da Corte.
A Revolução Francesa e a morte do marido e de dois filhos abalaram profundamente a saúde mental da rainha que passou a dar sinais de loucura. Foi quando o príncipe João, futuro D. João VI, assumiu a regência. D. Maria veio com a família real para o Brasil em 1807, morrendo nove anos depois no Rio de Janeiro.

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