''Com esse vozeirão só pode ser negão... algum sobrinho bluseiro de Little Richard?... Só crioulo tem esse agudo metálico na voz... só um fudidão pra encarar esse peso todo...como é o nome do cantor dessa banda? A informação não revelou o mistério, o cara chamava-se Janis Joplin. Como será ele... cantando desse jeito o negão deve ter um visual mucho louco... alguém tem uma foto do boy?''. A roqueira Rita Lee assim lembra a surpresa que causou a chegada de Janis Joplin ao mundo da música além fronteiras. Na apresentação de ''Janis Joplin. Uma Vida. Uma Época'', Rita Lee conta com humor a sensação que teve ao perceber a consternação da ala masculina diante do vozeirão da americana.
''O quê? É um loiro cabeludo? Como? Não pode ser, Janis Joplin é mulher!!!!!! Para Sam Andrew, Janis conseguiu, além de levar sua música, mostrar às mulheres como ser livre. ''Ela mostrou que você não tem que ser ''bonito'' e ''meloso'' para ser bom. Ela sempre dizia que você tem que manter seu próprio e real valor porque isso é o que você realmente tem de oferecer para o mundo'', afirma.
Depois de gravar o álbum ''Cheap Trills'', que vendeu um milhão de cópias e trazia sucessos como ''Piece Of My Heart'', ''Turtle Blues'', ''Ball and Chain'' e ''Summertime'', Janis desligou-se do grupo. Formou em seguida a Kozmic Blues Band. Lançou o álbum ''I Got Dem Ol'Kozmic Blues Again, Mama'', em 1969. No mesmo ano, apresentou-se em Woodstock, mas já estava muito mal por causa das drogas. De novo, ela mudou de banda e formou a Full Till Boogie Band. Com eles, gravou 11 faixas de ''Pearl'' (Pérola), era como Janis gostava de ser chamada pelos amigos. O álbum traz seu maior sucesso na época: ''Me And Bobby McGee'', de Kris Kristorfferson, e ainda ''Cry Baby'', ''Move Over'' e ''Mercedes Benz''.
Mas Janis não chegou a ver o lançamento de ''Pearl''. Após inúmeras tentativas de corrigir a vida, Janis foi encontrada morta num quarto do Landmark Hotel, pelo guitarrista da banda, John Cooke. Dezoito horas depois, o legista confirmava: overdose por heroína. O mesmo lote da droga matou outras oito pessoas. ''No final arrepiante das contas, a pureza da droga rapidamente passou a ser sua propaganda. Na semana após sua morte, os traficantes de Los Angeles a vendiam vangloriando-se: 'É tão forte que matou Janis Joplin de overdose''', relata Alice Echols.
Talvez a vida tenha sido mesmo injusta com Janis, ou Janis tenha sido injusta com a vida se esbaldando o quanto pôde. Avaliar, no entanto, qualquer possibilidade neste sentido é mera divagação. Mas como seria a Janis Joplin sessentona? Sam Andrews responde: ''Acredito que se estivesse viva, Janis ainda estaria produzindo. Acho que ela teria feito muitas coisas para o jazz, porque canções como 'Summertime' e 'Little Girl Blue' foram trabalhos muito bons. Ela poderia ter feito alguma coisa mais dramática também. Claro que é difícil responder a uma pergunta hipotética como esta. Na verdade, eu desejo que ela ainda esteja aqui. Todos nós estaríamos rindo mais. Bem, nós temos George W. Bush para rir agora. Ele é bem engraçado''.
(C.C.)

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