A roda de samba de Dudu Nobre
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quarta-feira, 07 de maio de 2008
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
O samba é rei na MPB. A sua corte é toda roda de samba com seus príncipes e lordes, como Paulinho da Viola, Cartola e a nova geração dessa dinastia muito bem representada por Dudu Nobre. Os convivas são a rapaziada cantando, a mulherada sambando e o povo chamando nas palmas.
Herdeiro de um reinado que sabe pôr as palavras para brincar - Dudu é neto do poeta Seu Nobre - não poderia dar outra coisa a não ser samba.
O rapaz bem nascido, bem criado, filho de pagodeiros e afilhado de um dos maiores baterista do mundo, Wilson das Neves, ele próprio um rei absoluto na opinião de Elza Soares e Chico Burque, entre outros, está à altura da sua majestade: o samba.
É com essa chancela que Dudu lança o CD e DVD ''Roda de Samba ao Vivo'' pela Universal Music. O show de lançamento será dia 3 de junho, no Circo Voador, no Rio de Janeiro.
O novo trabalho foi gravado todo numa pegada só, no bar carioca ''Bom Sujeito''.
O astral de roda de samba não deixou de fora nem a cervejinha gelada liberada para a moçada, reunindo ao redor das mesas uma seleção dos maiores compositores do gênero. Um encontro entre a velha guarda do samba e os que estão puxando a cadeira para sentar agora.
Convidados ilustres da nobreza do samba, Zeca Pagodinho, Nei Lopes, Martinho da Vila e Almir Guineto foram recebidos por Dudu.
''Quando a gente conversava com a rapaziada, todo mundo falava para fazer esse projeto. A coisa foi andando e ganhou essa proporção. Queria fazer uma homenagem às pessoas que influenciaram a minha formação musical, como sambista. O CD é bem para cima. Já o DVD tem mais pressão'', comenta Dudu.
No repertório de ''Roda de Samba ao Vivo'' somente as músicas que o compositor gosta de cantar.
'' Tempo de Don Don'', de Nei Lopes, música que fez sucesso ao integrar a trilha sonora da novela global ''Celebridade'', é uma das escalações do ''Ao Vivo''.
Entre as inéditas, ''Seu Gastão Que Vai Bancar'' (Dudu e Zeca Pagodinho) e ''Que Mundo é Esse'' (Dudu, Almir Guineto e Fred Camacho).
O ''Ao Vivo'' também traz ''Vou Botar Teu Nome na Macumba'' (Zeca Pagodinho e Dudu Nobre) e ''Lamento de Lavadeira (Monsueto, J. Batista e Ivan Campos).
A música ''O Samba Vai Te Pegar'' (Dudu Nobre e Pretinho) antecipa o que acontece com os que se rendem ao gênero, não resistindo em se curvar diante não só das composições, mas também de um séquito de instrumentistas que faz do samba uma arte nobre.
Presença no CD e DVD, Zeca Pagodinho é amigo de Dudu desde a infância, parceiro em algumas composições e autor de uma das melhores definições sobre o rapaz, que nasceu no quintal do samba: ''O samba é uma paixão e Dudu foi escolhido pelo samba''.
Uma afirmação mais que apropriada já que a carreira, que começou bem precocemente, aos cinco anos de idade, contou com as bençãos da mãe, dona Anita Nobre.
''No Rio de Janeiro tinha oito rodas de samba, sendo que dessas três eram da minha mãe. O Zeca Pagodinho cantava nos sambas da minha mãe'', lembra Dudu, cujo coração também bate no ritmo dos surdos das escolas de samba, uma de suas paixões.
''A escola de samba faz parte da minha formação como músico, ritmista. Atualmente não participo com tanta frequência por ter caído no que a gente chama de samba de meio de ano, mas numa projeção, hoje, eu seria um puxador de samba enredo'', comenta Dudu, que por conta de ser comentarista nas transmissões de TV dos desfiles de Carnaval, não conseguiu agradar a todos os amigos, lembrando que esse é um pessoal que não está acostumado a ouvir crítica.
Dudu vai a todas as rodas de samba que for convidado nas andanças e turnês pelo País e em todos os lugares a corte é sempre a mesma: a rapaziada cantando, a mulherada dançando e o povo chamando nas palmas.
As referências do compositor podem acrescentar novos nomes, mas os tradicionais não mudam: Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, entre outros.
''Esse pagode romântico, eu respeito, mas existe um monte de coisa que eu não gosto. Eu sou a continuidade do samba, que aprendi desde garoto. Sempre coloquei o meu trabalho como uma continuação desses compositores. Tem muita gente surgindo, novos valores. Estamos bem representados, mas o samba não perdoa quem não tem história'', afirma Dudu, com a coroa da mais pura tradição nas mãos.


