Bumba-meu-boi, Tambor de Crioula, Dança do Coco, Cacuriá, Lelê, Carnaval e Festa do Divino. São Luís é palco de festas durante o ano todo. Ficou conhecida principalmente como a terra do reggae e do bumba-meu-boi (que ocorre em principalmente em junho e julho), mas pouca gente sabe que a ilha também tem carnaval de rua e até celebrações natalinas típicas. As manifestações culturais sempre tiveram papel importante na vida da população ludovicense (como são chamados os nativos de São Luís).
Entre as festas de Natal estão o Pastor e o Cordão de Reis, comemoradas entre os dias 24 de dezembro e 6 de janeiro. O Pastor é um auto natalino que lembra o nascimento de Jesus. Tem raízes na Idade Média e mescla canto e dramatização. É apresentado por meninas, tradicionalmente virgens. ‘‘Acredito que isso tenha relação com a Virgem Maria, por estar atribuído ao nascimento de Jesus’’, explica a diretora do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, Isaurina Nunes. Acompanhadas de uma pequena orquestra, composta de clarinetes, banjo, saxofone e tambores, as meninas dançam, enquanto tocam pandeiros e castanholas, num ritmo semelhante à valsa.
A Festa de Reis, por sua vez, retrata a visita dos três reis magos a Jesus. É dançada na forma de dois cordões, com moças e senhoras. Os personagens principais são o rei e a rainha e o ritmo também remete à valsa. Os grupos se apresentam no Centro Histórico de São Luís.
O período carnavalesco começa na noite de 31 de dezembro e segue durante todo o mês de janeiro, terminando só depois do Carnaval, que é famoso pelas guerrinhas de maizena ou talco. Na capital maranhense sobram maneiras de cair na folia. Há blocos tradicionais, cordões de fofões, tribos de índios, casinha da roça, escolas de samba, grupos afro e muitas bandas.
Os blocos existem há mais de cem anos em São Luís e são considerados os mais autênticos representantes do auê maranhense. Caracterizados por fantasias luxuosas feitas com veludo, miçangas e plumas, desfilam sob o ritmo de grandes tambores e retintas. Já os grupos afro são movidos ao som do afoxé. Têm destaque o Akomabu, o Abibimã e o Gdam.
A casinha da roça é pura cultura popular. Retrata um típico casebre de caboclo reproduzido em um carro alegórico montado sobre a carroceria de um caminhão. Brincadeiras típicas são feitas pelos grupos de fofões, que lembram os palhaços da Commedia dell’Arte, e as tribos de índio imitam um ritual conduzido por um pajé.
Em maio, mais uma grande celebração: a Festa do Divino Espírito Santo. Teve origem em Portugal com a construção da Igreja do Divino Espírito Santo, por ordem da rainha Isabel para o pagamento de promessa. É uma das festas mais importantes do calendário religioso do Maranhão, principalmente em Alcântara.
Sem calendário fixo, o Tambor de Crioula é uma dança sensual que pode ser vista com frequência, sobretudo em datas santas. É caracterizada por três tambores cilíndricos, feitos geralmente da tora de uma madeira oca. De origem africana, foi introduzida pelos negros e descendentes de escravos.
Tradicionalmente os tocadores são homens, que cantam toadas, acompanhados pela dança de roda das coreiras (mulheres), que fazem também o coro. Assim como os pandeirões do bumba-meu-boi, durante a dança, os tambores são cobertos com couro e precisam ser esquentados na fogueira para que tenham afinação perfeita. Coisas do Maranhão.

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